Hamilton de Andrade Lemos
Terça-Feira, 15 de Abril 2008 - 23h53 Antigamente, o título acima me dava calafrios. Evocava, de cara, as senhoras de Santana e o corolário sectário da tradicional família. Ou seja, um patrulhamento anacrônico sobre como você deveria ser, se portar e pensar. Coisa de gente chata!
Mas, graças a Deus, juventude é coisa que passa. E com ela se vão também as certezas, o que nos dá a oportunidade de pensar e questionar. Assim, pude rever posições. Nas próximas linhas, tento explicar por que.
Hoje não vejo nada de mais que haja uma moral. O ser humano precisa de uma, por mais falha que seja. Uma moral que determine, por exemplo, que roubar é errado e defina roubo. Meter a mão em verba pública é roubo tanto quanto sonegar impostos. Atirar em alguém é crime, assim como passar o sinal vermelho também o é.
E, assim que adotarmos uma moral, desejaremos que todos sejam éticos. Neste aspecto, sou a favor da moral. Em relação aos bons costumes, me lembro que em meu tempo de criança, moças de boa família não deviam namorar no portão. Agora também, por motivos diferentes. Se a virgindade da tal já não precisa ser preservada, pelo menos seu celular, seus pertences e sua vida sim, do assaltante.
Também nada tenho contra dar lugar às senhoras no ônibus, abrir a porta para os mais velhos e cumprimentar as pessoas nas ruas, mesmo os desconhecidos. Só o preconceito e a ignorância não vêem que o mundo era bem melhor assim e que o rótulo da modernidade não implica, necessariamente, em melhoria da qualidade de vida. Óbvio que há muito que esquecer do passado. Convenções sociais devem ser regras que acolham as pessoas e não que as aprisione. E obrigado pela leitura. Tenha um bom dia!