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Caderno C

Quarta-Feira, 16 de Abril 2008 - 23h7

Peça de resistência

F.L.PITON Peça de resistência TONY ELVIS Comerciante abriu loja colocando a coleção de discos à venda

O prazer de tirar o disco preto da enorme capa. Todo o ritual de pousar suavemente a agulha para explorar cada sulco de sua superfície. O que mais parece um hábito esquecido no tempo, ouvir a música tocada por um disco de vinil ainda encontra espaço nos dias de hoje.
Um dos grandes entusiastas do bom e velho Long Play (LP) é o comerciante Tony Elvis, dono de uma loja de discos usados no Centro de Ribeirão Preto. Tony conta que seu público se concentra, em grande parte, na faixa dos 40 anos ou mais, mas que os jovens também procuram pelas raridades.
- Normalmente os jovens procuram discos de bandas como Pink Floyd, Led Zeppelin, The Doors e Elvis Presley, diz Tony, ele próprio, fã de carteirinha do Rei do Rock.
Existem também os DJ´s, que procuram os singles, discos que têm uma música em cada lado, usados para animar as pistas de dança.
Mas, afinal, o que faz com que o disco de vinil ainda mantenha o seu charme?
- O prazer de se ouvir um disco de vinil é muito maior. Pegar a agulha e escolher a faixa que se quer ouvir. E a qualidade do som também é muito superior. No CD, o som acaba perdendo a pureza, explica Tony Elvis.

E o toca-discos?
Mesmo com uma procura regular pelos discos de vinil, surge um problema: como ouvi-los? Os aparelhos de som fabricados hoje não trazem mais o compartimento apropriado para ouvir o LP. A saída, então, é recorrer aos sebos e lojas de móveis usados, onde é possível encontrar os tocadores de vinil. O preço dos aparelhos no mercado varia de R$ 180,00 a R$ 380,00.
O vendedor Paulo Vieira Amarante, diz que algumas pessoas ainda procuram as ‘vitrolas’. O perfil dos clientes, segundo ele, não segue uma faixa etária específica e vai desde jovens até pessoas mais velhas.
- São, na verdade, apaixonados por vinil, diz.
E também tem gente como a estudante Thais Ferrari, 22 anos, que herdou a ‘vitrola’ dos pais e uma coleção de discos do Guns N’ Roses da irmã.
- O que me atrai é o fato de precisar procurar muito para encontrar o disco de vinil. Hoje em dia, qualquer pessoa pode ter um CD ou até mesmo músicas em Mp3 no celular. O que era novidade quando foi lançado em vinil, hoje é raridade, afirma Thais.


História
LP completa 60 anos em 2008
O disco de vinil surgiu em 1948, em substituição aos pesados discos de 78 rotações que eram usados até então. Os bolachões de vinil são mais leves, mais resistentes a choques e de manuseio mais fácil. Quando surgiu, sua revolução estava no fato de reproduzir um número maior de músicas e a excelente qualidade sonora.
O tempo passou e, no início da década de 90, surgiu o Compact Disc (CD), que prometia maior capacidade de armazenamento de músicas, maior durabilidade e mais clareza sonora, já que não trazia junto os famosos chiados que eram ouvidos nos discos de vinil. Justamente os chiados que hoje fazem a alegria dos saudosistas do LP.


Mp3 em toda parte
Se o vinil ainda hoje tem vários fãs que não abrem mão do prazer de ouvir os chiados que fazem fundo à música, não é difícil calcular a quantidade de pessoas que gostam e utilizam o Mp3. O formato foi criado em um laboratório alemão, onde um grupo de pesquisadores desenvolveu um algorítimo para compressão de áudio que, para compactar o arquivo, retirava apenas os ruídos inaudíveis ao ouvido humano.
Com tanta gente tendo acesso aos programas de troca de música na Internet, já virou cena urbana avistar um jovem andando pelas ruas, fones nos ouvidos, balançando a cabeça ao som da banda preferida. São verdadeiros fãs do Mp3, como o coordenador administrativo Jean Fernando Satim, 26 anos. Para ele, o que mais atrai no formato é a possibilidade de baixa compressão em tamanho sem que a qualidade do áudio seja afetada.
- Além disso, outra vantagem é a variedade de players (os suportes) para o arquivo Mp3, que pode ser ouvido em automóveis, Mp3 players, Mp4, Mp5, DVD´s e computadores, entre outros, diz Jean.



DA REPORTAGEM

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