Boa Forma
Quarta-Feira, 16 de Abril 2008 - 23h10
USO DIÁRIO O professor Vinícius Pedrazzi indica a aplicação dos anti-sépticos bucais para a limpeza da boca
Que a escova de dentes e o fio dental fazem muito bem o papel de higienizadores bucais ninguém tem dúvida. Agora são os anti-sépticos bucais ou enxaguatórios que podem gerar dúvidas aos consumidores. Mas, os profissionais da odontologia não só aprovam o bochecho com esses produtos, como também os recomenda como um complemento à escovação.
De acordo com o professor associado da Forp-USP (Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto), Vinícius Pedrazzi, os enxaguatórios bucais são de fato muito eficientes para a higienização da boca, já que eliminam significativamente o número de microorganismos (vírus, bactérias e fungos). São, justamente, os microorganismos que provocam as principais doenças da cavidade bucal: a cárie e a doença periodontal.
Ele diz que o uso do anti-séptico é importante tanto no dia-a-dia das pessoas, como complemento à higienização, quanto nos consultórios.
- Um bochecho de um minuto reduz em 97% o número de microorganismos durante aproximadamente uma hora, afirmou o professor que pesquisa, entre outras coisas, a eficácia do anti-séptico.
O professor orienta que entre os usuários, o ideal é fazer um bochecho a cada escovação ao longo do dia. Para quem não tem condições, a dica é fazer o bochecho pelo menos uma vez por dia, antes de ir dormir.
Nos consultórios, Pedrazzi diz que o ideal é que os dentistas dêem uma dose de anti-séptico para bochecho para cada paciente que passa por tratamento. Ele é enfático ao dizer que a medida possibilita biossegurança, em um ambiente cheio de microorganismos. O uso do enxaguatório protege tanto o dentista e sua equipe como o próprio paciente.
Com ou sem álcool?
Já existiram várias categorias para classificar os diferentes tipos de anti-sépticos. Recentemente no Brasil, o mercado tem se dividido entre os produtos com álcool e os sem álcool. Segundo o professor, os enxaguatórios com álcool têm sido questionados devido ao alto teor da substância. Para se ter uma idéia, o anti-séptico tem 21,6% de álcool na sua formulação, enquanto o vinho tem 18%.
Pedrazzi afirma, no entanto, que não há motivo para preocupação, desde que o produto não seja ingerido. Quem ingere um anti-séptico com álcool pode sofrer intoxicação. O correto é bochechar e cuspir o líquido.
Para as crianças, o professor recomenda que o bochecho só passe a ser feito após os sete anos e, ainda assim, com um teste prévio para checar se a criança tem controle sobre o líquido de bochecho. Basta medir uma quantidade de suco colorido e dar para a criança bochechar sem engolir. Depois pedir para que ela cuspa de volta e checar se a medida devolvida foi a mesma usada para o bochecho. Se a criança devolver a mesma quantidade, é um sinal de que ela já consegue controlar o líquido para bochecho, sem engolir.
Saúde bucal
Governo quer popularizar a utilização do produto
Cientes do poder de prevenção que os anti-sépticos têm, bem como a escova e o fio dental, os dentistas devem participar do Painel Brasil de Saúde Bucal, do governo federal, com propostas para que o brasileiro passe a usar mais estes instrumentos de higienização. O subsídio já é dado às indústrias que produzem preservativos, por exemplo.
Segundo Vinícius Pedrazzi, o Painel Brasil de Saúde Bucal deverá colocar dentistas como ele na base de apoio de políticas públicas para melhorar o acesso da população ao enxaguatório.
Ele acredita que uma das opções é fazer com o que o governo subsidie os fabricantes de material de higiene bucal para que o produto final seja vendido por valores mais em conta para o consumidor. Pedrazzi diz que um anti-séptico de 200ml custa em torno de R$ 6, o que pesa no orçamento do brasileiro. O preço faz tanta diferença que pesquisas já apontam que o consumo do produto é relativamente comum entre as classes A e B. O mesmo não ocorre entre as classes C e D, onde o poder aquisitivo é menor.
Prevenção
Outra proposta é a de reforçar a divulgação da importância da higiene e seus mecanismos. O dentista acredita que o tema da prevenção é abordado de forma muito acanhada se comparado ao “bombardeio” de propagandas de doces e outros alimentos que prejudicam os dentes.
O professor afirma acreditar que pode crescer o uso de anti-sépticos bucais, especialmente na linha de produtos fitoterápicos, como a Malvona, um dos mais antigos enxaguatórios comercializados no Brasil.
Pesquisas mostram que 13% dos adolescentes brasileiros nunca foram ao dentista. Cerca de 15% dos adultos e 36% dos idosos usam prótese total, a conhecida dentadura. Os números ainda mostram que entre as crianças, de cada cinco cáries, três não foram tratadas.
Pedrazzi defende que o Brasil adote uma linha forte de trabalho com prevenção. Ele diz que é inviável se basear em ações curativas, até por conta da falta de capacidade de profissionais para atender a demanda.
Líquido chega à região desprotegida
A dentista Angela Della Gatta, que presta assessoria de ciência e educação para a Johnson&Johnson, afirma que a principal qualidade do enxaguatório na higienização é o fato de ser líquido e alcançar todos os espaços da boca. Estudos científicos recentes mostram que os dentes, que devem ser limpos com a escovação e o fio dental, representam apenas 25% da área bucal. Isso significa que 75% da boca está desprotegida somente com os procedimentos de limpeza dos dentes.
Angela diz ainda que é muito importante saber escolher um enxaguatório. A clorexidina é considerada a substância mais eficiente de higienização, mas os enxaguatórios que têm esta substância como princípio ativo são de uso restrito, porque não podem ser utilizados a longo prazo sob pena de manchar os dentes e de prejudicar a sensibilidade degustativa.
De acordo com Angela, somente os chamados óleos essenciais (retirados de plantas aromáticas) são comparáveis à eficiente clorexidina. Os óleos são o mentol, o eucaliptol, o etimol e o acetilato de metila. Quando combinados, esses óleos resultam em enxaguatórios de eficiência comprovada cientificamente. Segundo ela, anti-sépticos com formulações diferentes podem até ser eficientes, mas têm limitações e, muitas vezes, não passaram por comprovação científica.
Contra infecções
A dentista ressalta que o uso do enxaguatório previne as doenças mais comuns da boca (placa bacteriana, gengivite e cárie), o que, por conseqüência, resulta em prevenção de outras infecções no organismo. Angela afirma que uma infecção na boca gera alteração nos microorganismos no corpo, deixando-o mais vunerável a outras doenças.
Ela explica que crianças e pessoas que estejam com ferimentos na boca, necessariamente, precisam de uma avaliação do dentista antes de adotarem o anti-séptico.