Caderno C
Quarta-Feira, 16 de Abril 2008 - 23h14
O SOM DA VIOLA Músicos da Orquestra Paulistana se apresentam hoje no Pedro II e, no final de semana, no Parque Tom Jobim, em Ribeirão
Imagine uma orquestra formada por médicos, metalúrgicos, engenheiros, dentistas e até mesmo um ex-secretário estadual da Segurança Pública que, ao invés de utilizarem instrumentos tradicionais, executam clássicos eruditos e populares com a boa e velha viola de dez cordas.
A Orquestra Paulistana de Viola Caipira se apresenta hoje no Theatro Pedro II para a gravação de um CD e um DVD ao vivo com um repertório que surpreende os mais puristas. De Bach a Valdyr Azevedo, passando por Vivaldi e até mesmo Zé Ramalho, o grupo comandado pelo maestro Rui Torneze investe no ecletismo.
- Vamos apresentar também algumas músicas pouco conhecidas do repertório caipira. São duas horas e meia de show, explica o maestro.
Sala de aula
Criada há onze anos por Rui, que é professor de viola caipira na Universidade Livre de Música do Centro de Estudos Musicais Tom Jobim, conta atualmente com 40 músicos, entre amadores e profissionais.
São todos alunos e professores do Instituto São Gonçalo de Estudos Caipiras, uma ONG com sede na Vila Matilde na capital paulista que também gerencia a orquestra.
- Na época foi criada de uma maneira bem despretensiosa, mas de repente começamos e chamar a atenção e a realizar várias apresentações, recorda o maestro.
Rui defende o ensino da viola caipira em sala de aula, mas desde que seja livre de qualquer preconceitos.
- Deve haver a intenção de inserir o músico a este contexto popular. Não adianta fazer algo hermético, informa.
Resgate
O Instituto São Gonçalo foi inaugurado em 2001 com a presença de dois grandes representantes da cultura caipira, Inezita Barroso e Pena Branca, e tem como objetivo central a pesquisa, difusão e divulgação da cultura caipira. Além do curso de viola caipira, o instituto oferece aulas de violão popular, luthiaria (fabricação de viola e violão), workshops e até mesmo curso de culinária regional.
Rui afirma que uma das principais atividades da entidade atualmente é o resgate do repertório musical da viola caipira, pois quase não existem publicações com partituras dos registros fonográficos originais.
O maestro ressalta que os arranjos de todas as peças executadas pela orquestra e os materiais didáticos utilizados no curso de viola caipira são desenvolvidos no Instituto, através dos materiais fonográficos disponíveis no mercado.
- Nós formalizamos o que está em CD e documentamos tudo, argumenta.
Sem cachê
Rui chegou ontem a Ribeirão Preto para acompanhar o trabalho das equipes de gravação e filmagem do show de hoje. A apresentação vai render o CD e DVD “Viola in Concert”.
- É a mesma equipe que gravou nosso primeiro DVD em 2002 no Teatro São Pedro em São Paulo, portanto já conhecem nosso trabalho, explica.
A orquestra não cobrou cachê para os concertos de hoje no Theatro Pedro II e dias 19 e 20 no Parque Tom Jobim, ambos beneficentes. Os espetáculos vão ser realizados em prol de diversas entidades de caridade de Ribeirão.
No Pedro II os ingressos são vendidos pelas próprias instituições a R$ 30. No Tom Jobim, o ingresso é um quilo de alimento não perecível. O maestro lembra que os dois concertos vão ser diferentes.
- O público de teatro quer ouvir um Bach ou mesmo um Mozart. No parque, optamos por um repertório mais popular, com temas que o pessoal já conhece, garante.
Ao final, o maestro ainda elogia os músicos de sua orquestra que, apesar de não viverem disso, são disciplinados e dedicados. Um deles inclusive é o jurista José Afonso da Silva, ex-secretário estadual da Segurança Pública do governo Mário Covas.
- Está há um ano com a gente e vai estrear ao vivo neste concerto, revela o maestro.
Serviço
Orquestra Paulistana de Viola Caipira
Gravação do CD e DVD Viola in Concert
Hoje no Theatro Pedro II às 20h
Inf.: (16) 3977-8111.
E dias 19 e 20 de abril no Parque Tom Jobim, no Projeto Viola no Parque, que começa às 8h. Realização ACI – Distrital Oeste, Ipiranga