Vicente Golfeto
Quarta-Feira, 16 de Abril 2008 - 23h16 Toda criação é uma recriação. Não há nada que não tenha existido antes. Já está tudo na natureza. É uma tentativa de dizer o que o Eclesiastes já havia constatado: “não há nada de novo sob o sol”. É por isto que se diz que a história é repetitiva. Mudam os cenários, mudam as pessoas, mudam-se os tempos, mas o desenrolar é sempre o mesmo. A História se repete porque o homem muda muito pouco. Ou não muda absolutamente nada. Ele muda, sim, durante sua existência. Mas em termos de vontade apenas. Foi por isto que Luis Vaz de Camões disse que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.
Atualmente, o ser humano compartilha a ansiedade difundida sobre um possível apocalipse: enquanto nós temos mudança climática, que pode inclusive eliminar a vida sobre a Terra, nossos semelhantes na Idade Média – sobretudo nos séculos VIII a XII – temiam o fim do mundo. Eles acreditavam que estava próxima a volta do Messias. Como ouvimos – ainda hoje, embora com menos intensidade – que o fim dos tempos está prestes a chegar.
E quanto ao Islão? Devemos voltar às Cruzadas, em virtude das quais o papa Urbano II afirmava que “não é homícida quem mata excomungados”? Mas se o Ocidente não prega a violência, há radicais do outro lado que pregam. São os fundamentalistas, aqueles que interpretam à risca as palavras do texto sagrado, tanto da Bíblia quanto do Alcorão. Nesta mesma época – na Idade Média – o teólogo Menegoldo de Auterich dizia que “aqueles que matam pagãos não se mancham com nenhuma culpa e merecem ser louvados como mártires”.
Os combatentes islâmicos de hoje, chamados de fundamentalistas porque copiaram os métodos de interpretação dos batistas norte-americanos, são movidos por um espírito muito semelhante ao que, em muitos casos, no passado animou os cristãos.
A História pode estar se repetindo como ópera bufa, como farsa. Mas, que está se repetindo, está.