Júlio Chiavenato
Quarta-Feira, 16 de Abril 2008 - 23h16 A sociedade exige oráculos. Videntes que moldem comportamentos. Como nos nivelamos pelo consumo de idéias e “coisas”, o oráculo/vidente equilibra emocionalmente a conjuntura. Dita regras com máscara intelectual, às vezes maquiavelicamente contrárias ao sistema.
Com ranço acadêmico ou tom progressista, são cooptados pela indústria midiática para dar “resistência psicológica” à instabilidade emocional dos consumidores de cultura, presumivelmente vítimas e críticos do consumismo alienado, a ideologia vitoriosa dos nossos dias.
O intelectualismo modelado no século 19, hoje recauchutado pela alegre indiferença ética, adota uma postura aparentemente niilista, com a qual pensa lavar as mãos e absolver-se da alienação política. Mas pelo menos o velho academicismo teve castros-alves denunciando o escravismo e endoidados rimbauds escolhendo a África para traficar negros e morrer empestado.
Depois de Gogol, Balzac, Dostoiévski, Tolstoi, Flaubert e, entre nós, Machado e Lima Barreto (com respingos geniais até metade do século passado, como Graciliano, Bandeira e Rosa), de que nos servem as contrafações e os embustes consagrados pela mídia?
Já não existem gênios e profetas a nos dar uma visão compreensível da realidade. Nem adiantaria se os tivéssemos. Os norte-americanos tiveram Faulkner, Steinbeck e Williams ao mesmo tempo, mas se robotizam com best-sellers e presidentes que bombardeiam o mundo. Os soviéticos tiveram Gorki e Maiacovski, mas seguiram Stalin. Os europeus tiveram tudo e fizeram as mais cruéis guerras da história. Como ficam Martin Buber e Avicena diante do terrorismo de muçulmanos e judeus? Os cristãos são cristãos?
Não se desespere: não é Freud, mas Hegel quem explica...