Hamilton de Andrade Lemos
Quarta-Feira, 16 de Abril 2008 - 23h17 Continuo torcendo para que os pais não sejam os assassinos. Seria um golpe duro demais em meu modelo de pai e mesmo o de madrasta. Também não gosto nada da idéia de que um adulto realizou tal ato contra aquela belezinha. Até prova cabal e definitiva, o culpado é um sujeito oculto.
Mas como temos vários casos na história, de crianças mortas de forma trágica que passam a produzir milagres, a menina Isabella já está fazendo os seus. Antonino da Rocha Marmo, sepultado no lindíssimo cemitério da Consolação, em São Paulo, conta com casos e mais casos de curas extraordinárias. Nossa menina Izildinha não faz por menos e, dizem, resolve até caso de insolvência financeira. Louvados sejam!
Já a menina Isabella, contemporânea e moderninha, produz um fenômeno bem mais afeito à nossa época: a multiplicação dos índices de audiência. O brasileiro, que já é um dos povos que mais assistem televisão, passou a ficar com o nariz ainda mais grudado na telinha, em busca de novidades, detalhes sórdidos e todo o andamento da investigação.
Tenho presenciado reuniões serem marcadas para antes ou após os telejornais, vizinhos atrasando o jantar e até rodas de discussão sobre o tema. O caso Isabella está mais interessante do que a trama da novela. E olha que não tem cena de sexo ou nudez. Mas, da mesma maneira, evolui lentamente, obrigando nossos insistentes repórteres a repetir, de formas diferentes, as mesmas informações.
As tevês, ao que parecem, acendem velas à menina Isabella. Afinal, audiência é faturamento. E o que era para ser o relato de um caso trágico e lamentável, virou circo para a distração da plebe rude e ignara.