Hamilton de Andrade Lemos
Quinta-Feira, 17 de Abril 2008 - 23h16 Enquanto arrumo as malas descubro por que estes feriados são chamados de prolongados. É que neles todo tipo de aborrecimento se prolonga. A começar pelos preparativos. Não entendo porque as mulheres se demoram tanto a escolher uma roupa, se elas terão 10 malas cheias delas, caso mudem de idéia.
Eu, que tenho duas delas em casa (mulheres, não malas), sofro dobrado, literalmente. Sim, porque tenho que viajar apertado, para que as malas caibam. Porque não as coloco no porta-malas? Meu amigo, você não deve ter nem mulheres e nem malas em casa. Claro que já está lotado!
Lotado também está o balcão da lanchonete de estrada. Parece que todo o hemisfério sul também saiu às estradas. Há uma certa promiscuidade em tanta gente junta, principalmente na hora de ir ao banheiro. Mas aguarde: ainda tem a fila do caixa. E depois a fila do pedágio. E, finalmente, a fila do engarrafamento.
Parado no trânsito da marginal, a única idéia que me vem à mente é como seria bom estar parado no sofá de minha casa. Mas não, o ser humano é um animal que precisa se locomover por 500 quilômetros para abrir uma cadeira de praia e poder descansar em paz.
Paz, no caso, é só força de expressão. Há mais dela num ataque aéreo. É preciso vigiar as crianças, aplicar o protetor solar, o repelente, atender o vendedor de cerveja, de biscoito, de queijo coalho, de óculos de sol, de tatuagem e de bijuterias. E ainda dar opinião sobre qual pulseirinha fica melhor com o biquíni. Praticamente um shopping onde você fica parado e as lojas andam.
Mas não desanime. Guarde suas lágrimas. Você vai precisar delas. Afinal, ainda tem a volta pra casa.