Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Sexta-Feira, 18 de Abril 2008 - 23h29

Alta fidelidade


O jornalismo ensinado pelas faculdades produz repórteres que só enxergam o que está na cara. São “repórteres” ao pé da letra: ligam o gravador, apertam a tecla rec, voltam às redações, apertam a tecla play e “reportam” o que lhes disseram. Nada entendem além da notícia. (O inteligente repórter que me lê revoltado é a exceção – os imbecis são os outros.)
Raros têm a coragem para enfrentar o editor ou o patrão. Escrevem de acordo com o pensamento da empresa e assinam, dando credibilidade pessoal à ideologia dominante. Quase todos são politicamente corretos. Torcem o nariz quando se escreve que alguém é preto em vez de negro. Mas uma manifestação contra o racismo na cara deles é ignorada se eles não forem “pautados”.
Comentaristas, colunistas e colaboradores, temporões ou oficiais, seguem a regra. Nomeiam os generais da ditadura de presidentes: Castello Branco, Costa e Silva, Médici foram “presidentes”. Ditador só Fidel Castro.
Enquanto a Revolução Cubana se institucionalizava fez julgamentos sumários, condenou à morte e executou meliantes, ladrões, mafiosos e exploradores do povo. Houve injustiça e brutalidade. Gente não é feita para ser morta por motivo algum.
Depois da Revolução institucionalizada, não consta que torturou e matou adversários sistematicamente, como as ditaduras militares do Brasil, Chile e Argentina. Os presos políticos cubanos, mesmo em condição lamentável, estão em cadeias melhores que os presos comuns do Brasil. Em Cuba não há imprensa nem liberdade para denunciar a brutalidade do sistema. No Brasil temos uma forte indústria midiática e liberdade: mas uma ótica jornalística que só tem a vista direita. E a voz do dono, politicamente correta, sempre a favor.

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