Vicente Golfeto
Sabado, 19 de Abril 2008 - 19h19 Não é muito grande a quantidade de comentários a respeito, mas a África é o quarto maior parceiro comercial do Brasil, abaixo apenas dos Estados Unidos, da Argentina e da China.
Brasil e África – talvez a subsaariana mais do que a que se localiza acima do Saara – têm muita coisa em comum. É na Bahia, estação primeira do Brasil – como se diz na canção popular – que a África se reinventa. Enquanto isto, o padre Antônio Vieira nos dizia que “o corpo do Brasil está na América. Já a alma está na África”. O Brasil seria um país africano localizado no continente sul-americano, da mesma maneira que a Península Ibérica – Espanha e Portugal – seria também composta de países africanos mas localizados na Europa.
Estas esquinas da História, da Geografia e – por que não? – da etnia, conduzem, por via oblíqua, os caminhos da economia brasileira. O primeiro governo a buscar, na África, parceiros comerciais para o Brasil foi o do presidente Ernesto Geisel, em plena ditadura militar. Interessante que o Brasil, tão logo Angola declarou-se independente de Portugal – estabelecendo-se como país sob um governo de orientação marxista – o Brasil reconheceu com primazia este governo. Evidencia-se que o processo político, a decisão de relações exteriores, submeteu-se à História, à Geografia e mesmo à miscigenação racial.
O governo do presidente Lula – depois de esta orientação ter sido abandonada, já no governo do presidente Figueiredo – retoma as diretrizes de Geisel, abrindo as portas – seria escancarando-as? – para um maior intercâmbio com os países africanos. E a África entendida como um todo e não apenas a portuguesa, constituída por países que foram colônias, como o Brasil, de Portugal.
A África – de norte a sul – deverá ser, no final do século 21, o que atualmente é a China. E em breve poderá ser o Brasil. Precisamos, pois, chegar antes para beber água mais limpa.