Especial
Sabado, 19 de Abril 2008 - 20h32 São 140 palmeiras imperiais, ao longo da avenida Jerônimo Gonçalves, na região da Baixada. Oitenta no sentido Francisco Junqueira-Rodoviária e 60 no sentido Mercadão-Francisco Junqueira. Pelo menos 14 delas correrão sério de risco de sobrevivência assim que a prefeitura iniciar a construção da primeira parte do Sistema de Macrodrenagem, uma obra antienchente. A primeira fase será um trecho de 350 metros entre a rua Visconde do Rio Branco e a rotatória Amim Calil. O projeto prevê alargar, aprofundar a calha do rio e desviar o ribeirão Preto numa galeria de 90 metros de comprimento. O início do trabalho está previsto para junho (ver na página 14).
O secretário municipal de Obras, José Aníbal Laguna, disse que haverá o replantio das palmeiras mas não garante o sucesso da operação. O Sistema Macrodrenagem tem 2,5 quilômetros de extensão, da rua Primo Tronco, Vila Virgínia, até a rotatória Amim Calil. Está prevista a derrubada das 140 palmeiras.
História
Nem mesmo os historiadores sabem ao certo há quanto tempo as mais velhas foram plantadas. A engenheira florestal Regina Carneiro diz que as mais antigas existem há mais de 80 anos.
O historiador José Pedro Miranda garante tratar-se de palmeiras da mesma espécie das que foram plantadas por Dom João VI no Jardim Botânico, Rio de Janeiro.
Em Ribeirão, a plantação foi conduzida por Max Bartsch, um jardineiro contratado pela prefeitura. O ano, segundo Miranda, foi 1903. Max foi ajudado por Cassiano Esteves, funcionário municipal entre 1913 e 1916.
As primeiras palmeiras foram plantadas nas imediações do Mercadão Central. O plantio teria se expandido pela avenida depois de 1913.
Engenheira florestal não crê em sobrevida
Das quatorze palmeiras imperiais que serão arrancadas para o alargamento do canal do ribeirão Preto, na avenida Jerônimo Gonçalves, poucas delas sobreviverão. A previsão é da engenheira Regina Leão, da Gestão Ambiental. “Ali tem palmeiras de quase oitenta anos, que não vão reagir ao estresse do transplante”, disse.
A tentativa de replantio das palmeiras mais jovens não deve ser incentivada, na opinião de Regina Carneiro.
“Não compensa o investimento. O valor das palmeiras é a história. Depois que forem arrancadas, a história finda-se”.