Especial
Sabado, 19 de Abril 2008 - 20h35
ANTÔNIO CARLOS BENETÃO enfrenta enchentes há 22 anos. Pelo fim delas, aceita o abate das palmeiras
O dinheiro para a obra, R$ 13 milhões, já existe. Dez milhões são do governo federal, liberados com a ajuda do deputado federal Antônio Palocci (PT). Os outros três milhões serão bancados pela prefeitura, com financiamento da Caixa Econômica Federal.
O processo de licitação já está na Secretaria de Administração. E, se tudo correr bem, sem impedimentos, a construção da primeira etapa do Sistema de Macrodrenagem deverá começar agora na segunda quinzena de junho.
Entende-se como primeira etapa do Sistema de Macro Drenagem, o trecho de aproximadamente 350 metros entre a rua Barão do Rio Branco e a rotatória Amim Calil.
Neste pedaço, o ribeirão Preto, que corre na avenida Jerônimo Gonçalves, será alargado, aprofundado e desviado em noventa metros para evitar o cruzamento frontal com o córrego Retiro Saudoso, que corre pela avenida Francisco Junqueira.
A previsão da entrega da obra é de dez meses. Isso significa que ela será inaugurada entre abril ou maio do ano que vem pelo prefeito(a) a ser empossado(a) no dia primeiro de janeiro de 2009.
A previsão é do secretário municipal de Obras, José Aníbal Laguna.
Nesta etapa, a secretaria de Obras prevê a remoção de 14 palmeiras imperiais e o abate puro e simples das seringueiras que resistem há mais de 40 anos, na avenida Fábio Barreto.
“Entre palmeiras imperiais e vidas, fico com as vidas. Vamos tentar o replantio na avenida mesmo”, informou Laguna.
Enchentes raras
Depois de pronta a primeira etapa do Sistema de Macrodrenagem, as enchentes em Ribeirão Preto, serão raras, na opinião do secretário de Obras.
“Vai ser preciso chover muito para ocorrer alagamentos mais sérios. O cálculo é de apenas uma enchente a cada vinte anos. Convenhamos, será um enorme progresso. Afinal, temos média de três enchentes por ano na região da Baixada”, disse Laguna.
Hoje, na ponte da confluência da Francisco Junqueira com a Jerônimo Gonçalves, a vazão máxima é de 140 m³ por minuto - 140 mil litros. Com as obras, a vazão chegará a 240 mil litros/minuto.
Os trabalhos da primeira etapa começarão na rotatória Amim Calil. Da rotatória até o cruzamento com a Jerônimo Gonçalves, o ribeirão Preto, que hoje tem oito metros de largura, será aumentado para 14 metros. O alargamento avançará sob os leitos carroçáveis. Ao mesmo tempo, a calha será aprofundada ao máximo, com expectativa de dois metros. Nova ponte, com vão largo, será construída na Alagoas com a Castro Alves. Já sob ponte a ser levantada no cruzamento da Jerônimo Gonçalves com a Francisco Junqueira, correrão águas apenas do Retiro Saudoso.
O encontro do Retiro Saudoso com o ribeirão Preto, será trinta metros abaixo de onde ocorre hoje. Isso evitará o que chamam de refluxo das águas, um dos principais agentes de alagamento na área.
O desvio
Na Jerônimo Gonçalves, a partir da rua Barão do Rio Branco, o ribeirão Preto - sem 14 palmeiras imperiais - também será aprofundado e alargado para 14 metros - contra os oito metros atuais.
O desvio do ribeirão Preto, para evitar o encontro direto com o Retiro Saudoso, será feito através de uma galeria de 90 metros de comprimento, com 14 metros de largura e 3m80 de altura. O rio cortará 30 metros no terreno onde existe o escritório regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Comerciantes ainda não acreditam em obra
Nos cem metros da Jerônimo Gonçalves, entre a rua Barão do Rio Branco e a Francisco Junqueira, somente um comerciante conseguiu resistir 22 anos de enchentes: Antônio Carlos Benetão, dono de uma revenda de motos.
Os demais foram desistindo, gradativamente. Até o Hotel Saint Remy mudou de dono.
Benetão confessa que só não mudou de local porque é dono do prédio. “Se tivesse que pagar aluguel, teria ido embora há muito tempo”, admitiu.
Benetão não paga o IPTU (Imposto Predial Territorial e Urbano) há uns dez anos, mas diz que essa oferta da prefeitura não compensa.
“Na enchente de 2004, num domingo à noite, tive prejuízo de mais de R$ 50 mil. Cheguei na segunda-feira e as motos estavam debaixo das águas”, lembrou.
Perguntado se acredita nas obras antienchetes, em frente a sua loja, disse que torce para que isso aconteça.
“Passou da hora, né ?
Sobre o abate das palmeiras imperiais, lamentou o sacrifício, mas concorda com ele.
“Convivo com as palmeiras há 22 anos mas se é para acabar com o tormento das enchentes, não vou sentir tanto a falta”.
Barbearia
Quando Antônio Carlos Alves abriu sua barberia na Fábio Barreto, há 39 anos, havia um ponto de táxi na margem direita do ribeirão Preto. Naquela época, as enormes figueiras ainda estavam pequenas, tinham sido recém-plantadas. Depois, o local virou ponto de carroça. Ele tem dúvidas sobre as melhorias.
Henrique de Paula, 43 anos, é o dono da Casa do Açougueiro. Está há 20 anos no cruzamento da Jerônimo Gonçalves e Francisco Junqueira e só acredita nas obras assim que tiverem terminadas.
“Nestes anos todos tenho ouvido apenas palpites. Ação mesmo, nenhuma. Já fechei cinco portas e as que mantenho abertas tem comportas de quase três metros. Só acredito, vendo”, disse. A loja tem mais de 15 funcionários.