Jornal A CIDADE

Leia_A_cidade

Especial

Sabado, 19 de Abril 2008 - 20h37

Estado não interna abrigado da Cetrem

Nicola Tornatore
F.L.PITON Estado não interna abrigado da Cetrem LOCAL INADEQUADO Membros do Conselho de Saúde durante visita à Cetrem, nos Campos Elíseos

A Secretaria de Estado da Saúde não vai atender à reivindicação do Conselho Municipal de Saúde de Ribeirão Preto, que pretendia internar no Hospital Santa Tereza pessoas com problemas psiquiátricos que vivem na Cetrem (Central de Triagem e Encaminhamento de Migrantes, Mendicantes e Moradores de Rua), um órgão da Prefeitura Municipal.
O impasse vem de vários meses e no último dia 14 três membros do Conselho Municipal de Saúde estiveram na Cetrem, nos Campos Elíseos, para avaliar a situação em que vivem quinze pessoas com transtornos psiquiátricos, todos ex-pacientes do Hospital Santa Tereza.
“Lá não é um local adequado para essas pessoas”, destaca Marcos Antonio Bardella, um dos membros da comissão.
“Em outras épocas, essas pessoas estariam internadas em algum hospital psiquiátrico”, afirma.
A Secretaria de Estado da Saúde, responsável pelo Hospital Santa Tereza, afirma que aquelas pessoas, quando precisam, são internadas.
“São pessoas que não precisam, no momento, de internação. Elas são atendidos durante o dia no Caps (Centro de Atenção Psicossocial), mantido pela Prefeitura. Todos os Caps têm autonomia para encaminhar pacientes diretamente ao hospital, sem necessidade de passar pela central de regulação. Ou seja, quando entram em fase aguda, são encaminhados e internados”, sustenta a Secretaria de Estado da Saúde, por meio de sua assessoria de imprensa.
Para a saúde estadual, fora da fase aguda, essas pessoas representam um problema social, e não de saúde.
O coordenador de Saúde Mental, Alexandre Souza Cruz, informa que periodicamente tem de comparecer à Cetrem, para atender esses moradores em momentos de crise.
No relatório feito pela comissão do Conselho Municipal de Saúde, Cruz destaca que aquelas pessoas, na definição da Organização Mundial de Saúde, são “moradores de rua”. Bardella, porém, insiste que na Cetrem eles não podem ficar. “A Cetrem foi planejada para atender temporariamente pessoas de passagem pela cidade, e nunca moradores permanentes, ainda mais com transtornos psiquiátricos”, destaca.


Pacientes são ‘fruto’ da reforma
Na avaliação do coordenador de Saúde Mental Alexandre Souza Cruz, pacientes psiquiátricos como os que moram na Cetrem há vários anos são conseqüência de uma lacuna da reforma psiquiátrica, quando se implantou um processo de desospitalização.
“Imagine um esquizofrênico que mora com os pais. Ele não tem condições de cuidar de si próprio. Nas fases agudas, é internado. Depois, tem alta e volta para a casa dos pais. Esses pais morrem. Quem vai cuidar dele? São pessoas com esse perfil, portadores de transtornos psiquiátricos, que estão se transformando em moradores de rua”, explica Cruz.
A Secretaria de Assistência Social, que mantém a Cetrem, informa que presta o melhor atendimento possível, ressaltando, porém, que não tem estrutura para pacientes psiquiátricos.

  • Imprimir
  • Enviar

É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso sem autorização escrita da Empresa Jornalistica Orestes Lopes de Camargo S\A
ARZ