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Sabado, 19 de Abril 2008 - 20h39

Menor viciado vai ganhar casa de recuperação em RP

Nicola Tornatore
F.L.PITON Menor viciado vai ganhar casa de recuperação em RP CRIANÇA Segundo ong, RP têm cadastrados quase 280 menores que precisam de tratamento contra drogas

Um dos principais problemas na saúde pública de Ribeirão Preto - a inexistência de um local para internação e tratamento de menores de idade viciados em drogas - deverá começar a ser sanado nas próximas semanas.
O Instituto Social Flor de Lis abre, possivelmente já no mês que vem, uma casa de recuperação para adolescentes dependentes químicos.
Atualmente, os adolescentes que precisam de tratamento contra drogas são encaminhados para uma clínica de recuperação localizada em Peruíbe, no litoral paulista, a 467 quilômetros de Ribeirão Preto.
“É muito longe e fica muito caro, até porque às vezes temos de mandar os pais”, comenta Oswaldo Cruz Franco, secretário municipal da Saúde.
Segundo ele, o projeto do Instituto Flor de Lis já foi aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde. “Mas para que possamos firmar um convênio, é preciso que a casa esteja aberta, funcionando”, explica.

Cinco unidades
Ademar Moscardini, diretor do Instituto Flor de Lis, informa que a primeira das cinco casas de recuperação que fazem parte do projeto pode ser aberta já em maio.
O imóvel alugado por R$ 2.000,00 mensais fica na rua Olavo Bilac, 1383, no Sumaré. “Nessa primeira casa internaremos dez menores, de 12 a 17 anos. Até o final do ano abriremos mais quatro, pelo menos uma delas para garotas, cada uma com capacidade para de dez a quinze menores”, informa Moscardini.
Segundo ele, a demanda por internação para tratamento de menores dependentes químicos é enorme. “Na Vara da Infância e Juventude há cerca de 800 menores cadastrados, são adolescentes envolvidos com drogas. Já os Conselhos Tutelares possuem cadastrados quase 280 adolescentes com problemas relacionados à dependência química. Não são todos, mas muitos deles precisariam de internação”, garante.
O Instituto Flor de Lis já contratou uma equipe de 38 profissionais, incluindo psiquiatra, psicóloga, clínico geral, assistentes sociais e pessoal de enfermagem.

Verba canadense
Além da colaboração dos parceiros que ajudam a bancar a ONG, fundada há dez anos e sediada inicialmente no Jardim Procópio, o instituto conta com uma subvenção estrangeira. “Temos a ajuda de uma fundação que fica em Quebec, no Canadá”, informa o diretor.
Segundo ele, o projeto prevê gastos entre R$ 2,5 e R$ 3 milhões por ano, para cada vinte vagas nas casas de recuperação. A internação será por até nove meses.
O projeto conta com o apoio da superintendência do Hospital das Clínicas. “O HC nos cedeu camas, macas, suportes para soro, divãs e outros materiais”, informa.


Ong foi fundada há 10 anos como sociedade espírita
O Instituto Flor de Lis foi fundado há dez anos, no Jardim Procópio, em RP, como uma sociedade espírita. Inicialmente, atuou fornecendo atendimento psicológico e de serviço social.
Há dois anos, a sede foi transferida para a rua João Ramalho, 300, nos Campos Elíseos, ainda como uma sociedade espírita.
Quando a diretoria resolveu levar adiante um projeto de casas de recuperação para menores dependentes químicos, chegou-se a discutir com o sanatório espírita Vicente de Paulo o aluguel de instalações hoje desativadas.
Lá seria instalada a primeira casa de recuperação. A idéia, porém, não foi adiante, uma vez que a própria Secretaria Municipal da Saúde, que já é parceira do sanatório, onde mantém um Caps-ad (Centro de Atenção Psicossocial-álcool e drogas), decidiu alugar o mesmo espaço para sediar o Caps-3 (leia nesta página).
Assim, o Instituto Flor de Lis alugou o imóvel no Sumaré. As chaves foram entregues pela imobiliária na última quarta-feira e no dia seguinte o imóvel já estava passando por limpeza e pequenas reformas.
“Nosso projeto está no Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente. Assim que eles aprovarem, abrimos a casa. Os internos serão encaminhados pelos conselhos”, diz o diretor Ademar Moscardini.


Duas Ongs oferecem serviços
Atualmente a Secretaria Municipal da Saúde dispõe de quatro vagas para internação de menores dependentes químicos, contratadas, mediante convênio, junto a Associação Promocional “Sol Nascente”, localizada em Peruíbe, no litoral paulista
Como a qualquer momento podem chegar ordens judiciais determinando a internação para tratamento de adolescentes dependentes químicos, a secretaria Municipal da Saúde abriu outra licitação, desta vez para contratar mais dez vagas, com uma previsão de custo anual de até R$ 128.400,00.
A primeira licitação, porém, não teve nenhum participante e foi julgada deserta (extinta). Uma segunda licitação (modalidade tomada de preços) teve encerramento na última quarta-feira, quando duas entidades encaminharam propostas.
Nos dois casos, porém, a documentação estava incompleta.
Para evitar a abertura de uma terceira licitação, a Secretaria Municipal da Administração, baseando-se no artigo 48 da Lei 8.666 (que rege licitações), concedeu prazo de oito dias para que as empresas completam os documentos que ficaram faltando.
Apresentaram propostas à Associação Promocional “Sol Nascente”, de Peruíbe, que já é parceira da Secretaria Municipal da Saúde, e a Amafem-Associação “Mão Amiga de Amparo Feminino”, de Franca.
Como a Amafem atende exclusivamente dependentes químicos do sexo feminino, e o edital da tomada de preços estipulava que as vagas seriam para dependentes dos sexos masculino e feminino, a expectativa é de que a entidade seja desclassificada.
Assim, restaria apenas a Associação Promocional “Sol Nascente”, que abriria então mais dez vagas para menores de idade dependentes químicos de Ribeirão Preto.


Caps funcionará em sanatório
Não faltam em Ribeirão Preto apenas vagas para menores de idade que precisam de tratamento contra a dependência química.
A cidade também não dispõe de leitos suficientes para atender a demanda de pacientes em surtos psiquiátricos.
O coordenador de Saúde Mental, Alexandre Souza Cruz, diz que as oitenta vagas existentes no Hospital Santa Tereza e os seis leitos disponíveis na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas não dão conta da demanda - até porque são unidades que atendem toda a região.
Como essas 86 vagas vivem lotadas, são freqüentes os casos de pacientes em surtos psiquiátricos que permanecem vários dias em unidades distritais de saúde, esperando a abertura de vagas.
Para o secretário Oswaldo Cruz Franco, o problema só será resolvido com a criação de mais um Caps (Centro de Atenção Psicossocial) que funcione 24 horas. Hoje, existem dois em Ribeirão Preto, mas ambos têm características de hospital-dia, abrindo apenas de segunda a sexta-feira, no máximo até às 20h.
“Já contratamos os profissionais da futura equipe e escolhemos o local, o sanatório Vicente de Paulo”, explica Franco.
Mas as obras de adequação do espaço existente no sanatório espírita Vicente de Paulo, na rua Pará, 1280, no Ipiranga, onde já funciona o Caps-ad (para dependentes de álcool e drogas), não serão feitas pela Secretaria Municipal da Saúde.
“Nós podemos fazer a reforma por meio de orçamentos, enquanto a Prefeitura, através de licitação, demora mais e fica mais caro”, explica Geraldo Valadares, presidente do sanatório espírita.
Franco confirma que as obras serão tocadas pelo sanatório. “Temos condições de suplementar a subvenção mensal em até R$ 120 mil”, explica.
O setor de engenharia da Prefeitura já aprovou. A reforma deve começar nas próximas semanas.

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