Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Segunda-Feira, 21 de Abril 2008 - 19h36

Movidos pelo interesse


Os chineses são mestres em transformar problemas em oportunidades. Os brasileiros, não. Mas parecem que estão aprendendo.
A imprensa noticia que empresários brasileiros estão trabalhando no sentido de que o Brasil: 1- tenha melhor distribuição de renda; 2- melhore o nível de ensino.
Ficaram politizados? Claro que não. Eles são movidos pelo interesse. Quando nos referimos à partilha de renda, os empresários são principalmente os industriais mas os comerciantes e os da área de serviço igualmente batalham na mesma direção. Não foram atacados por pruridos cristãos. Nada disto. Renda com melhor nível de distribuição é sinônimo de mais consumo. E mais consumo é aumento de venda de seus produtos. Portanto, de lucro maior.
Quanto à escala educacional, o mesmo se pode dizer. Aluno é o produto da escola. E, com exceções, o que se vê é que o produto não tem sido aceito pelo mercado. Pelo contrário. A empresa tem buscado mão de obra qualificada e tem encontrado gente titulada. É por isto que se diz que toda escola deve ser uma empresa e toda empresa precisa ser uma escola. Muitas escolas de artes e ofícios do passado transformaram-se em escolas de engenharia.
A grande questão é a seguinte: empresários querem que a renda tenha melhor nível de distribuição. Mas – em muitos casos, não em todos – desde que esta divisão não seja feita a partir de suas empresas. E, quando desejam pessoal mais qualificado, não seria nada mal se eles cuidassem de oferecer ajuda – denominada de bolsa de estudos – a seus funcionários. Justiça seja feita, muitos empresários têm ajudado – muito mais do que no passado recente – diversos trabalhadores a melhorarem seu nível de conhecimento. E o fazem ainda que saibam que este trabalhador poderá, no futuro, ser contratado por empresa concorrente.
Estamos diante de uma evolução, sim. Que, entretanto, precisa de ser ampliada.

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