Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Segunda-Feira, 21 de Abril 2008 - 19h36

Novos descobrimentos


Depois dos portugueses, chegou o momento dos brasileiros descobrirem o Brasil. Desta vez, porém, vamos descobri-lo dentro deste mesmo onde vivemos. Não há mais terras a serem conquistadas. Agora, teremos que conquistar a nós mesmos.
Neste novo Brasil deverá haver fronteiras. Mas que sejam abertas a todos os povos que amarem a paz e a igualdade de direitos. Que estas linhas imaginárias sirvam somente para exilar o desmando e a desfaçatez.
Teremos hino, que fale de palmeiras, que gorjeie por todos os cantos a alegria de ser um povo pacífico, mas não omisso. Não será preciso frases grandiosas, nem conclamações belicosas. Sugiro Tom Jobim na base harmônica.
Ainda haverá índios quando chegarmos a este novo Brasil. Espero que, como da primeira vez, sejamos bem recebidos, embora tenham motivos de sobra para não serem nada amistosos.
Os filhos deste solo verão com satisfação que aqui, em se plantando, tudo dá. Terreno perfeito para a cultura de valores humanos, aquela que nenhuma intempérie destrói.
Não apenas as indígenas nuas serão saradinhas. As crianças e velhos também. Portanto, não levaremos para a nova pátria as doenças, os ratos e as baratas domésticas. Evitaremos as divisões. Sem capitanias, estados, muros e preconceitos. Nada teremos que classifique um cidadão como melhor ou pior do que outro. Prisões serão escolas. Escolas serão escolas mesmo.
Nossa democracia será diferente. Não teremos eleições, porque não precisaremos de líderes ou representantes. Cada um destes novos brasileiros, descoberta sua responsabilidade, saberá exatamente o que fazer a cada dia para devolver à mãe gentil seu berço esplêndido.

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