Caderno C
Quarta-Feira, 23 de Abril 2008 - 0h26
ME LEVA QUE EU VOU O jornalista Maurício Kubrusly e os atores de Insector Sun, durante gravações
Os fãs do herói 100% ribeirão-pretano Insector Sun podem comemorar. Depois de ser morto no episódio número 10, o guardião interestelar ressuscita para mais uma vez salvar a Terra das forças do mal, ou algo que o valha. A volta não poderia ser mais espetacular. Nos próximos dias este herói do terceiro mundo promete conquistar mais fãs pelo país e pelo mundo graças ao lançamento de suas novas aventuras em evento no Sesc e uma reportagem no quadro “Me Leva Que Eu Vou”, do Fantástico. Mas como é que o jornalista Maurício Kubrusly foi descobrir esta turma apaixonada por seriados japoneses?
- Nós enviamos para o site do Fantástico a sugestão para a matéria. Eles pesquisaram sobre Insector Sun na internet e como apareceram várias ocorrências ficaram interessados, conta Christiano da Silva, um pacato web designer e professor de Kung Fu de 29 anos que, nos finais de semana, se transforma no invencível herói.
Diversão
Christiano lembra ainda que depois que os produtores do programa assistiram aos vídeos no Youtube não tiveram mais dúvida em fazer uma reportagem com a turma toda. As gravações foram realizadas no Alto do São Bento em frente a Casa da Cultura e, de acordo com o ator, diretor, desenhista, roteirista e produtor, o clima era de pura diversão. Mais de quarenta pessoas, entre atores, figurantes e equipe técnica participaram da matéria.
- O Kubrusly me pareceu muito gente boa. Tirou foto com todo mundo que pediu e me deixou no comando da gravação da reportagem, lembra.
Christiano conta que o jornalista disse ter ficado impressionado com a qualidade técnica dos episódios de Insector Sun.
- Ele falou que nunca havia visto nada igual, levando em conta as nossas condições de produção, garante.
Enquete
A reportagem deve ir ao ar nas próximas semanas, ainda sem data prevista para exibição. Mas enquanto o reconhecimento nacional não chega, Christiano não perde tempo. Bom de marketing, o diretor revela que o herói retornou depois de uma enquete feita na comunidade de Insector Sun no Orkut.
- Os fãs não queriam de jeito nenhum que o Insector morresse. Então atendendo a pedidos o herói volta e triunfa na sua luta contra o mal, informa.
O novo episódio, que o diretor comenta ser o penúltimo da série, já tem o trailer disponível no site www.insectorsun.cjb.net. e o lançamento vai ser em junho no Sesc Ribeirão, com data a definir.
Se não bastasse, o último capítulo da série já está gravado e o diretor/produtor afirma que o lançamento vai ser realizado até o fim do ano. Christiano faz segredo quanto ao destino do herói no episódio derradeiro. Será que o guardião da Terra vai bater as botas intergalácticas novamente? Para seu criador, as dúvidas são muito mais financeiras do que existenciais.
- O futuro do personagem só o tempo dirá. Continuar produzindo sem apoio e patrocínio está fora de cogitação para mim e para a equipe, argumenta.
“Hero Fest”
De qualquer forma, o personagem já ultrapassou as telas dos computadores e segue seu caminho rumo ao infinito. Ou quase. Christiano e companhia aproveitam a fama do personagem para animar festas vestidos a caráter. Uma idéia ainda em fase de testes.
- No Japão é comum os personagens das séries de TV realizarem shows ao vivo, estilo “Live Action”, em parques de diversões. A nossa idéia é fazer algo parecido, só que num formato menor, explica.
Quem se interessar em contratar a tal “Hero Fest” basta acessar o site do herói. Ainda pelo site, a Kri-Produções, criada por Christiano, também comercializa bonecos baseados nos personagens da série. O que ele chama de “toys Insector Sun”.
- Dois artistas plásticos desenvolvem os bonequinhos em cima do esboço que passo pra eles. Todos são produzidos artesanalmente em massa plástica e são únicos, informa. Além dos toys, vendidos a R$ 25, a Kri-Produções comercializa os DVDs, brindes e produtos relacionados a série como mangás, os gibis japoneses, camisetas com a estampa do herói, trilhas sonoras com as músicas da série e muito mais.
- Dependendo do sucesso do personagem, ele pode ter uma grande abrangência em vários segmentos, ainda mais se cair no gosto da garotada. Insector Sun começa a ir nessa linha também, comenta o diretor, de olho no “valor agregado” do produto.
Herói moderno é isso aí.
História
Herói tem influência de seriados japoneses
Insector Sun, o Guardião da Terra, nasceu há oito anos nas páginas de um fanzine desenhado pelo próprio Christiano, baseado nos heróis criados nos mangás japoneses.
O herói pulou dos quadrinhos para o vídeo e tornou-se um legítimo exemplar caboclo do chamado “tokusatsu”. O termo é uma corruptela de “tokushu kouka satsuei” ou “filmes de efeitos especiais”.
Influenciado pelos seriados exibidos na extinta Rede Manchete, como Jiraya, Jaspion e Black Kamen Rider, Insector Sun ganhava vida pela Kri-Produções. Filmado inicialmente em condições primárias, tornou-se um “cult” em todo o país graças a Internet.
- Recebo e-mails de pessoas em cidades que nunca ouvi falar. Para minha surpresa, Insector Sun chegou já em países como o Canadá, Portugal e até no próprio Japão, ressalta.
Orçamento
O diretor e produtor recorda que no início gastava em média de 300 a 500 reais por episódio. Mas nos DVDs atuais, a produção está mais caprichada e o orçamento quase que triplicou, ultrapassando os R$ 1.500.
Por estas e outras, o criador da série pensa em pendurar as chuteiras de sua mais nobre criação. Algo de que Christiano se orgulha sem falsa modéstia.
E se o futuro é duvidoso, criador e criatura já deixaram sua marca no admirável mundo do trash nacional.
- Já fui várias vezes reconhecido nas ruas. Às vezes estou andando e alguém diz: “olha, esse aí não é o Insector Sun?” Depois que ficam sabendo que sou eu mesmo pedem até pra tirar foto, diverte-se.
Se depender dos fãs, Insector Sun é eterno.