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Quarta-Feira, 23 de Abril 2008 - 0h51

Aventura em Lindóia

Willian von Söhsten
WILLIAN CON SÖHSTEN Aventura em Lindóia RENAULT 1912 Um dos “vovôs” mais antigos da exposição

A paixão pelo antigomobilismo reuniu 30 sócios do Clube Faixa Branca de Ribeirão Preto em um ônibus para visitar o 13º Encontro Paulista de Autos Antigos de Águas de Lindóia, que aconteceu entre os dias 18 e 21 deste mês. Nessa aventura, eu fui junto.
Foram pouco mais de três horas e meia de viagem. A Praça Carlos Gomes foi o palco da maior exposição de automóveis antigos da América Latina. O encontro reuniu mais de 700 veículos vindos de todos os cantos do país e cerca de 300 vendedores de peças.
“É um excelente mercado para se achar aquela peça para restaurarmos um carro. O preço pouco difere de São Paulo, mas a concentração e a diversidade tornam a feira muito atraente”, diz Eduardo Crosta, presidente do Clube Faixa Branca.

A máquina
Dentro do antigomobilismo, sempre me interessei pelos carros esportivos. Um deles é minha paixão em especial: Eleanor. O nome feminino surgiu no filme “60 segundos”, estrelado por Nicolas Cage. As últimas cenas são tomadas por um Ford Mustang, na verdade, “o” Mustang.
O Shelby Mustang GT 500 E é uma versão mais potente do Mustang GT 350, com a assinatura do piloto e lendário projetista Carrol Shelby. Seu motor era um V8, 7.0 litros (428 pol³), de 355 cavalos brutos e com dois carburadores Holley de corpo quádruplo. O resultado é muita brutalidade.
Marcelo Canesin, da Replicator, diz que o carro é inspiração única. “Trabalhamos com a réplica dessa máquina que é, sem dúvida, uma das mais belas de todos os tempos”. Em seu estande, havia a tradicional Eleanor, cinza com listras preta, e um GT 500 amarela e azul.

Esportivos
Motores V6 e V8 não faltaram na exposição. Wagner Leal restaurou um Porsche Spyder 550, de 1955. “Motor, suspensão, interior, tudo foi refeito”, conta.
Um dos carros mais belos era o Chevrolet Corvette de 1974. “Com-prei um por R$ 70 mil e gastei outros R$ 70 mil para restaurar”, afirma Rodrigo Castro.
Vermelhona, era a Ferrari 1976, que não passava despercebida. Pouco depois dela, uma Maserati 1973 de Renato Malcuti, brilhava em amarelo ouro. Enfim, Mustangs, Mavericks, Opalas e outras supermáquinas do passado honraram os roncos de seus motores.


Queridos vovôs
Encabeçando a lista dos vovôs automobilísticos, estava lá o Renault 1912, feito em madeira e ferro, uma relíquia de valor inestimável.
De Tatuapé, o Seagreve Bombeiro, de 1920, da colecionadora Jéssica Garzon, estava em perfeito estado de conservação. “Deve dar um trabalho polir esse carro”, afirmou o visitante da feira, Roberto Portugal.
Curioso mesmo era o Mercury Woody 1951, de Valter Trevizan. O carro estava a 5 cm de chão. Um verdadeiro Hot Rod antigo e com um motor ensurdecedor.
Um vovô regional também atraía olhares. O caminhão GMC 1957 com placas de Serrana era o gigantão mais visto. “Pertence a um de nossos sócios”, disse Eduardo Crosta.
Como esquecer do Gurgel Itaipu, o primeiro carro elétrico 100% brasileiro fabricado em 1974. Para fechar a lista com chave de ouro, o Concorde 1977, de Lybo Ferreira.

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