Hamilton de Andrade Lemos
Quarta-Feira, 23 de Abril 2008 - 1h15 A melhor oportunidade para passear em São Paulo é quando seus moradores não estão. Nos feriados prolongados, a cidade ficar à sua disposição. E como a capital tem um dos trânsitos mais bem sinalizados do mundo, só se perde quem for analfabeto. Peça ajuda às placas. Se errar alguma entrada, melhor. Aproveite para explorar as redondezas.
Foi assim que encontrei um bolinho de bacalhau indefectível. Fica no Bexiga, na Rui Barbosa, numa padaria secular chamada Italianinha. Compre seus bolinhos e peça uma cerveja no boteco ao lado. Os donos já estão acostumados a esta promiscuidade.
A sobremesa está pertinho dali. E com opções. Na Oscar Freire tem a Cristallo, perfeita para um panini (um tipo de mini sonho gelado, com creme) com café. Não se assuste com a fauna. São somente nativos equivocados que têm certeza de ser melhores que todo mundo. Fique na sua.
A outra opção é o Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, que faz justiça ao nome e fica na mesma rua da primeira, só que quase no final. De comer rezando, ou de comer em pé, já que os lugares são poucos.
Programação cultural tem aos montes. Nem vou citar para não gastar espaço. Mas um espetáculo diferente é o do Olivier Anquier, que cozinha no palco, conta histórias, distribui provas das receitas e diverte os convidados. As mulheres babam do começo ao fim. Homens também, mas só pela comida.
Final de noite é no bar do Terraço Itália. É antigo, mas a vista é linda. São Paulo, 360 graus. Ou no bar do Juarez, na Juscelino, com chope e picanha já selada e fatiada fininha, que você termina de passar no réchaud, à mesa. Melhor que isso, só mesmo voltar pra casa.