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Caderno C

Quarta-Feira, 23 de Abril 2008 - 23h31

De volta ao passado

WEBER SIAN De volta ao passado DO FUNDO DO BAÚ A professora Denise Souza lê as mensagens dos alunos

A Escola Estadual Otoniel Mota comemorou seu centenário de fundação no ano passado e, para encerrar as comemorações, professores, dirigentes, funcionários, alunos e ex-alunos abriram nesta semana uma urna com mensagens deixadas por ex-alunos. A urna foi enterrada há oito anos.
São perto de cem mensagens, datadas de abril do ano 2000, sobre os mais variados assuntos. Alguns imaginavam o futuro tal qual ele é visto, ainda hoje, em filmes de ficção científica.
Em um dos textos é possível ler o seguinte: “Aos seres sobreviventes, escrevo antes de vocês terem três olhos, quatro seios e selecionar irmãozinhos pelo www...”.

Mensagens
Em outra mensagem, um dos professores da época escreve: “Espero que o Otoniel Mota esteja como está hoje, transbordando de alegria e paz”.
Além das mensagens debochadas e de esperança, havia também quem se preocupasse com o futuro dos estudantes. O então presidente do grêmio estudantil escreveu o seguinte: “Eu, presidente do grêmio, comunico a vocês que não cometam os mesmos erros da minha geração (geração das drogas). Aqui no presente, passado para vocês, a vida está muito difícil, com o desemprego aumentando e violência das mais banais”.
As mensagens desenterradas nesta semana formarão um painel que ficará exposto na escola.
Para a aluna Rafaela Fernandes, atual integrante do grêmio da escola, é bom saber como eram os alunos daquela época e como eles viviam.
- Eles nem nos conheciam e nos deixaram essas mensagens, achei muito legal, diz a estudante.

Novas mensagens
De acordo com a professora de história Denise Cardoso Souza, outra urna já sendo preparada para ser aberta daqui a dez anos.
- A idéia é fazer o mesmo que foi feito com esta urna. Abri-la daqui dez anos e mostrar as mensagens aos novos alunos, afirma a professora.
O material retirado da urna será utilizado também como parte do projeto do Centro de Documentação e Memória Otoniel Mota.
- O projeto foi desenvolvido para viabilizar o acesso de pessoas interessadas em pesquisas escolares e acadêmicas aos documentos históricos que estão na escola e correm o risco de se perder se não forem tratados ou restaurados, explica Denise.


História
Ginásio do Estado começou com 32 alunos
No ano passado o jornal A Cidade publicou uma série de reportagens, assinadas pelo jornalista Nicola Tornatore, sobre o centenário da escola Otoniel Mota. As reportagens mostram que, no ano de sua instalação, 1907, matricularam-se no Gymnasio do Estado, como era conhecido, 32 estudantes. O curso era ministrado em seis anos. Assim, a primeira turma a ser diplomada foi a de 1912, com apenas sete formandos, “bacharéis em sciencias e letras”.
A década de 40 é marcada por muitas mudanças. Em 1942 o governo cria o curso Colegial, que passa a ser oferecido já no ano seguinte. E em 1946 é criado o curso Normal, oferecido já a partir de 1947. Nesse ano, quando o Ginásio completou quatro décadas, eram 665 os alunos, assim distribuídos.
No ano de seu cinqüentenário (1957) o Ginásio, já batizado com o nome de seu ex-professor Otoniel Mota (passou a se chamar “Instituto de Educação Otoniel Mota” em 15 de outubro de 1952), tinha vários novos cursos, inclusive noturnos. O número de alunos chegou a 1.356. Ao completar 60 anos, em 1967, o Otoniel Mota já era uma pequena cidade, com 3.860 alunos em 105 classes e quase 200 funcionários (incluindo os professores).
A partir da década de 70 começa a separação física entre as escolas ginasiais e as colegiais. E o antigo Ginásio do Estado vira o Colégio Otoniel Mota, depois rebatizado com a denominação atual, de Escola Estadual Otoniel Mota.


Veja o que era notícia há oito anos
No início de abril de 2000, quando os ex-alunos do Otoniel Mota deixaram suas mensagens para serem abertas em 2008, as páginas do jornal A Cidade noticiavam uma ação do Ministério Público do Estado, que recolhia documentos na prefeitura de São Paulo para uma investigação de supostas irregularidades do prefeito da época, Celso Pitta. O prefeito de Ribeirão era Luiz Roberto Jábali. O presidente da República, na época, era Fernando Henrique Cardoso e o salário mínimo valia R$ 151,00.
Entre as atrações nas salas de cinema de Ribeirão Preto, estavam os filmes “Beleza Americana”, “O Pequeno Stuart Little” e “Matrix”. No teatro, o grande destaque era a vinda de Paulo Autran, para a apresentação de “Quadrante”, no Teatro das Faculdades COC.
No esporte, o Comercial amargava a última posição na classificação do Campeonato Paulista da Série A2 e se preparava para enfrentar o São José fora de casa. O Botafogo disputava a Primeira Divisão e ocupava a segunda posição de seu grupo. Todas as atenções estavam voltadas para o jogo diante do Palmeiras, que seria disputado na Capital.



DA REPORTAGEM

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