Vicente Golfeto
Quarta-Feira, 23 de Abril 2008 - 23h52 Ezra Pound nos diz que “os artistas são as antenas da nação”. É que, através das artes, nós podemos entender melhor o tempo, o povo, o país. A arte, como a justiça, como a verdade, como o líder, é filha do tempo. Todos são filhos de cronós, o tempo em grego. Referimo-nos ao tempo dos homens. O tempo de Deus é kairós.
A literatura é, exatamente por isto, impressionante auxiliar da História. A Paris da primeira metade do século 19 é muito mais claramente entendida através da leitura da Comédia Humana, de Honoré de Balzac, do que por meio do texto de qualquer historiador. Mesmo se se considerar o melhor pesquisador do passado. Mas ela auxilia a reconstituição do passado porque o tempo ido é a matéria prima com que se faz História.
Dizem que, se o jazz é vontade de potência, a bossa nova é promessa de felicidade. Por este meio, pela música, temos condições de começar a entender a América em ascensão, na busca do império que ela, afinal, acabou construindo.
O jazz anuncia tempos imperiais da mesma maneira que a bossa nova, a trilha sonora de um tempo feliz, mostra o Brasil dos anos dourados, o Brasil otimista, o Brasil dos tempos do presidente Juscelino Kubitschek.
O dia que tiver tempo vou começar a fazer uma análise da História do Brasil, a começar pelo Segundo Império, chegando até os dias de hoje, se possível for.
Tentarei utilizar a pintura, a música, a literatura, o cinema – um país sem cinema é uma casa sem espelho – com algumas outras artes, para entender o tempo ido. Com Lima Barreto, Machado de Assis e Joaquim Nabuco buscarei reconstituir o Brasil de Pedro II, com memória em fase de resgate como que a provar – como dissemos no início – que a justiça também é filha de cronós. E a ditadura de Getúlio, com Ary Barroso, Pixinguinha, Custódio Mesquita, Noel Rosa, dentre outros?
Vai ser difícil dizer: conciliou-se o feio da ditadura com a beleza da arte.