Júlio Chiavenato
Quarta-Feira, 23 de Abril 2008 - 23h52 Quando Fernando Lugo veio ao Brasil, antes das eleições que acaba de vencer, Lula recusou-se a ser fotografado ao seu lado. O grande sindicalista na presidência do Brasil, preferiu ser fotografado ao lado de Lino Oviedo, o general derrotado nas eleições do Paraguai.
Agora, ói nóis na fita. É a linguagem que o presidente Lula entende: nóis na fita. O general Oviedo, supeito de tanta coisa, inclusive assassinato, foi derrotado. O vitorioso, o ex-bispo Fernando Lugo, visitará o Brasil como chefe de estado e, como o protocólo exige, será fotografado ao lado de Lula.
É uma simples foto, dirão. É mais do que isso: é a vitória da dignidade contra a corrupção política paraguaia que foi apoiada pelo Brasil. Queira ou não, agora Lula da Silva tem de aceitar o diálogo com Fernando Lugo. Por trás de uma simples foto há um histórico de opressão que o Brasil terá de reconhecer. Há um século e meio o Paraguai era o país mais adiantado da América do Sul. Hoje está entre os mais atrasados. Foi destruído, com uma guerra que matou 70% da sua população masculina, para satisfazer os interesses imperialistas predominantes na época. E continuou sendo oprimido e explorado pelas máfias internas vendidas ao capital internacional, entre os quais o brasileiro foi o principal agente.
Como já comentei aqui, o governo brasileiro compra a energia elétrica de Itaipu a preço de custo e a revende cerca de três vezes mais cara. É chegada a hora do ajuste de contas, que não pode e não deve, evidentemente, prejudicar o Brasil, mas que não pode continuar a travar o desenvolvimento paraguaio. Será um grande abacaxi para Lula.
Se Lula fosse tão esperto como dizem e ele acredita, já estaria na foto. E nóis na fita.