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Opinião

Quarta-Feira, 23 de Abril 2008 - 23h53

Feras e feridas


A onda de violência que assola o país não tem escolhido vítimas pela idade. Nem pela localização geográfica. Se no Rio de Janeiro arrastaram o menino João Hélio, preso a um carro, até a morte, em São Paulo esganaram e jogaram Isabella Nardoni, de cinco anos, pela janela do sexto andar de um prédio.
E, em Ribeirão Preto, em menos de quatro meses, dois crimes de morte marcaram uma mesma rua, no até então pacato bairro Jardim América. As vítimas: dois estudantes. Rodrigo Bonilha, morto no final de janeiro, foi baleado pelas costas. Jorge Raymundo, enterrado anteontem, recebeu um tiro fatal na cabeça.
Os motivos para que se derrame tanto sangue inocente vão desde a ganância saqueadora, nos casos de assalto, até a absoluta falta de explicação racional ou lógica, nos casos brutais do extermínio gratuito de Rodrigo Bonilha, em Ribeirão Preto, e de Isabella, na capital paulista. A quem interessaria tirar a vida de gente que nunca fez mal a ninguém? Como lidar com isso? Como evitar que fatos como esses se repitam?
Todos esses questionamentos nos levam a indagações ainda mais inquietantes: em que estamos nos tornando? Até que ponto esquemas preventivos de segurança poderiam inibir delitos imprevisíveis?
Só nos resta, agora, esperar que a punição esteja à altura das faltas. E que seja, para dizer o mínimo, exemplar. Parece que só a penalização eficaz, com a identificação dos culpados e a elucidação dos casos, pode impor algum respeito, medo ou, quem sabe, um certo limite às feras indomáveis. Porque elas resvalam no que se pode chamar de monstruosamente selvagem, bem aquém do limiar humano.

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