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Quinta-Feira, 24 de Abril 2008 - 21h59

Um Doce Alimento

Adriana Matiuzo
MATHEUS URENHA Um Doce Alimento MEL NO CENTRO Henrique Fancicane mostra os produtos à base de mel que vende em barraca na feira de artesanato da praça das Bandeiras, em RP

O primeiro passo para quem quer adotar o mel puro ou nas receitas de casa é fazer uma boa escolha. De acordo com o empresário Luiz Henrique Facincane, da Apiários Vale do Mel, uma análise a olho nu do produto não é suficiente para saber se ele é ou não legítimo. Luiz indica que o consumidor observe os selos de qualidade do Ministério da Agricultura e da Secretaria de Agricultura do Estado. Para quem ficar desconfiado, vale a pena ligar para o telefone indicado na embalagem para checar a procedência do produto. O mel com o selo verdadeiro teve sua qualidade atestada por técnicos especializados na fiscalização do alimento. Segundo ele, um indício forte de falsificação está no preço muito abaixo dos praticados no mercado. Em média hoje, um quilo de mel tem cotação de preço entre R$ 12 e R$ 15.
Segundo Maria Amélia Facincane Nunes, a cristalização do mel no fundo do vidro não significa que ele seja de boa ou má qualidade. De acordo com ela, há uma tendência de que o mel se cristalize, isso pode demorar mais ou menos tempo dependendo do tipo do mel. Por isso, mesmo o mel cristalizado pode ser recuperado e consumido. Basta colocá-lo ao sol ou em “banho-maria” em uma vasilha com água quente.

Tipos de mel
Maria Amélia ainda afirma que os três tipos de mel mais comercializados no Brasil são o de eucalipto, o de laranjeira e o silvestre. A definição do mel se dá pelo tipo de florada que tem ao redor dos favos, onde as abelhas produzem o mel. A florada influencia no sabor, no aroma e na coloração do alimento.
O mel de eucalipto tem sabor e aroma mais fortes, cor escura e tem propriedades importantes para a saúde dos brônquios.
O mel de laranjeira tem aroma e sabor mais cítricos. A cor é mais clara e seus efeitos são positivos para o funcionamento do intestino.
Já o mel silvestre é tido como o mais tradicional de todos e o que tem o sabor mais puro, ou seja, menos influenciado pelas floradas ao redor. A cor é considerada um meio termo entre as tonalidades do mel de eucalipto e o de laranjeira.
Segundo Maria Amélia, o segredo para a conservação do mel por mais tempo está no cuidado com o manejo das colheres. É importante nunca colocar talheres usados (com saliva) ou molhados em contato com o alimento. Ela afirma que já há muitos clientes que usam o mel em receitas e que aos poucos a adoção do alimento nas dietas tem crescido, especialmente pela busca de uma alimentação mais naturalista.
Para Luiz Henrique Facincane, o produto ainda é visto mais como um remédio do que como um alimento. Prova disso é que as vendas caem até 50% na temporada de calor, quando as gripes e resfriados diminuem significativamente.


Saiba mais
Mel é energizante e bactericida
O mel é um poderoso energizante e um excelente bactericida. Quando combinado com uma alimentação equilibrada, pode, sim, prevenir doenças. Segundo o nutricionista Luiz Evaristo Sinicio, o alimento ficou muito conhecido pela sua capacidade antibiótica, que traz excelentes efeitos para a garganta, por exemplo, onde age diretamente. Porém hoje, também tem sido evidenciada a sua capacidade prebiótica de auxiliar na reconstituição da flora intestinal, prevenindo doenças como o câncer intestinal.
De acordo com Sinicio, o alimento é muito bem aceito do ponto de vista nutricional. Tanto que a substituição do açúcar por mel tem a aprovação dos profissionais de nutrição. Em termos de calorias o açúcar branco e o mel se equivalem. A diferença vem na formulação. O açúcar só traz calorias, enquanto o mel oferece vitaminas e sais minerais, além de suas propriedades bactericidas. De acordo com ele, o açúcar branco usado largamente no Brasil é um dos tipos mais inconvenientes para a saúde.
- O açúcar branco não traz nada além do que calorias, já o mel traz uma formulação rica de vitaminas e sais. Do ponto de vista nutricional, a substituição pode ser considerada muito mais saudável, afirmou Sinicio.

Sem exagero
Para ele, como é tão calórico quanto o açúcar, o mel também deve ser usado sem exagero e no caso de pacientes com diabetes, o melhor é usá-lo sob orientação médica. Outro dado interessante é que o mel não perde suas propriedades mesmo que usado como ingrediente em pratos diferenciados como bolos e pães.
O nutricionista ressalta ainda que o mel tem suas propriedades potencializadas dentro de uma alimentação equilibrada. Ou seja, o consumo regular de frutas, legumes e verduras faz com que o mel tenha um efeito ainda mais eficaz na prevenção de doenças infecciosas.
O nutricionista acredita que o consumo de mel deve ser estimulado e lembra que, normalmente, a mídia, baseada apenas em estética e no culto ao corpo, tem riscado o mel dos cardápios, bem como o açúcar. Ele afirma que o consumo do mel é saudável sempre, desde que usado com moderação. Sinicio acredita, ainda, que o produto deve passar por uma popularização, mediante a busca cada vez maior por alimentos funcionais.

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