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Caderno C

Quinta-Feira, 24 de Abril 2008 - 22h30

Carnaval no Parque

Régis Martins
DIVULGAÇÃO Carnaval no Parque ORQUESTRA IMPERIAL Grupo é a reunião de pesos pesados do pop rock nacional

Antes de ser cantora, a carioca Nina Becker ganhava a vida como cenógrafa e foi graças a antiga profissão que conheceu Ribeirão Preto. Contratada por uma empresa japonesa para um comercial de suco de laranja, teve uma tarefa ingrata no set de filmagem. Pintar os frutos que ainda estavam verdes nos laranjais de uma fazenda na região.
- Descobrimos que as frutas ainda não estavam maduras. Lembro que usei mais de cem litros de tinta laranja pra fazer o serviço, diverte-se.
Mas isso é coisa do passado. Hoje Nina dedica-se a duas de suas maiores paixões: a música e a moda. Sim, ela também desenha roupas, mas não a chame de estilista.
- Não gosto do termo, que tem a ver com a indústria da moda. Na verdade, meu trabalho é mais artesanal. Prefiro dizer que sou uma designer, informa, em entrevista por telefone.

Constelação
Além de ter um ateliê de costura para roupas sob medida no Rio de Janeiro, Nina é uma das vocalistas da big band Orquestra Imperial, um combo que reúne uma constelação de nomes da nova e velha geração da música carioca e que se apresenta hoje no projeto Grandes Bandas do Sesc Ribeirão.
São 19 integrantes, entre eles, Rodrigo Amarante, do grupo Los Hermanos, Moreno Veloso, filho de Caetano, os músicos e produtores Domenico e Kassin, a atriz global Thalma de Freitas, Rubinho Jacobina, filho de Nelson Jacobina, Wilson Das Neves, cantor e compositor da Império Serrano e um digno representante do interior paulista, o trombonista Mauro Zacharias, que já morou e tocou em Ribeirão Preto.
Nina revela que reunir esta turma para shows e viagens não é tão difícil assim.
- A Orquestra é um grupo descomplicado porque, até mesmo por ser difícil conciliar a agenda de todo mundo, os integrantes são muito generosos, explica a cantora.

Seu Jorge
Nina conta sem pudores que se convidou para participar da Orquestra depois de ouvir a banda na extinta casa de shows Ballroom na capital carioca.
Montada em 2002 por Berna Ceppas e Kassin, o grupo contava na época com Seu Jorge, que depois saiu. Com o tempo, novos integrantes foram adicionados. O repertório consistia em pérolas do samba e covers inusitados, como “Vem Fazer Glu-glu”, originalmente cantada por ninguém menos do que Sérgio Mallandro, e “Iron Man”, do grupo de heavy metal Black Sabbath. A cantora revela que o clima de descontração prevalece até hoje no grupo.
- A Orquestra é um presente que apareceu na vida de todos nós. Foi algo que começou meio que sem querer, mas continuou porque as pessoas iam aos shows e também porque os integrantes fazem com muito amor, explica.

Hermano
A carioca conta que o grupo nasceu da necessidade de seus integrantes - a maioria ligada ao pop rock nacional - em fazer algo que não tinha muito espaço em suas devidas carreiras.
Mas o que no início era uma brincadeira de notáveis, ganhou uma nova dimensão. Com o tempo, a orquestra passou a apresentar composições inéditas nos shows. Em 2007, foi lançado um EP, homônimo, com três regravações e um tema instrumental: Me Deixa Em Paz, Obsessão, Popcorn e Sem Compromisso.
No mesmo ano, o primeiro disco, Carnaval Só No Ano Que Vem, foi gravado e distribuído pela gravadora Som Livre. O grupo ainda se apresentou em Portugal, nos EUA e Inglaterra.
Muitos acreditam que um dos motivos do sucesso da Orquestra é a presença de Rodrigo Amarante, guitarrista e vocalista da banda Los Hermanos, que começou a levar aos shows os fãs da sua (ex?) banda. Nina não concorda.
- Cada pessoa contribui com alguma coisa no grupo. Cada um traz algo diferente, afirma.
É bom lembrar que Amarante retorna a Orquestra depois de uma estadia de seis meses nos Estados Unidos.

Mãe coruja
De qualquer forma a Orquestra impulsionou a carreira de muita gente, incluindo a de Nina, que prepara dois CDs de uma tacada só para este ano.
- Um deles é algo mais intimista. O outro é com minha banda, gravado ao vivo, diz.
A banda que acompanha Nina, aliás, ganhou nome. “Do Amor” já é sensação no underground paulista e carioca.
- Eles ganharam vida própria. Me sinto meio mãe deles, conta.
Além de composições próprias, os dois álbuns da intérprete contam com faixas assinadas pela turma da Orquestra, entre eles Moreno e Kassim. Além de uma música de Romulo Fróes, digno representante do samba-indie paulista. Ou seja, a nata de uma geração que tenta tirar a MPB do saudosismo e da auto-referência. Seria Nina, a musa dessa turma prodigiosa?
- Na verdade, não faço nada para renovar. E também acho o conceito de MPB hoje algo indefinível, responde, toda modesta.

Parque Municipal
O show de hoje vai ser realizado no Parque Luís Carlos Raya, no Jardim Botânico. A entrada é gratuita e a assessoria do Sesc Ribeirão informa que o local tem capacidade para seis mil pessoas. Não vai ser permitida a entrada de bebidas alcoólicas e funcionários do Sesc vão pedir para que as pessoas não fumem no parque.


Serviço
Projeto Grandes Bandas
Hoje, com Orquestra Imperial, às 21h no Parque Municipal Dr. Luis Carlos Raya (Jardim Botânico). Entrada Gratuita. No dia 27 de abril, Banda Mantiqueira, às 17h, no Parque Prefeito Luiz Roberto Jábali (Curupira). Inf.: (16) 3977-4477.

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