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Opinião

Quinta-Feira, 24 de Abril 2008 - 22h32

Crime e castigo


Doze dias depois da rebelião que feriu e matou no Centro de Detenção Provisória de Ribeirão Preto, a situação ainda está muito longe do que se convenciona chamar de “normal”. Mais de novecentos presos continuam no local, que fontes definem como precário e internamente dividido entre os que integram e os que não integram o braço local do crime organizado.
O pedido da OAB, subseção de Ribeirão Preto, para que o CDP fosse interditado, não obteve resposta.
Em linhas gerais, grosso modo, há que se escolher entre manter os presos em situação de penúria ou transferi-los, mobilizando fortes esquemas de segurança. Mas transferi-los para onde?
Os presídios estão todos superlotados. Seria preciso aumentar - e muito- a estrutura física para abrigar a atual população carcerária do país, que poderia crescer astronomicamente se fossem cumpridos todos os mandados de prisão.
É uma situação grave, em todo o território nacional. Quem é que se esquece, por exemplo, do caso estarrecedor da menina - menor de idade- que foi obrigada a dividir uma cela com vinte homens e sofreu todo tipo de violência? O fato aconteceu no Pará, mas poderia ter acontecido em qualquer outro rincão ermo do país.
Se no Estado mais rico e mais bem estruturado - que é o Estado de São Paulo - numa das regiões mais desenvolvidas, que é a de Ribeirão Preto-, enfrentamos o problema da falta de condições ideais para receber e reabilitar nossos presos, o que dizer então de lugares mais pobres e atrasados? É preciso repensar todo o sistema carcerário, antes que seja tarde demais para mudar.

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