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Quinta-Feira, 24 de Abril 2008 - 23h14

Suspeita de túnel faz Choque mudar presos de ala no Centro de Detenção

Jucimara de Pauda
WEBER SIAN Suspeita de túnel faz Choque mudar presos de ala no Centro de Detenção TENTATIVA CDP de Ribeirão Preto: denúncia era de que presos construíam túnel para fugir da cadeia

A denúncia da existência de um túnel no pavilhão onde estavam os detentos do Centro de Detenção Provisória fez a direção da unidade acionar a Tropa de Choque da Polícia Militar e transferir todos os 896 presos para alas improvisadas do presídio que foi destruído há 14 dias por uma rebelião.
Durante o motim dois presos morreram: Alex Martins de Sene, de 27 anos, assassinado a estiletadas e Fábio Misael da Silva, 21, morreu a caminho do Pronto-Socorro Central, vítima de asfixia.
“Os funcionários ouviram barulho de pessoas batendo e desconfiaram que os presos estavam cavando um túnel. Nos ajudamos na mudança e a própria direção do presídio ficou de verificar se existe mesmo um túnel”, afirmou o capitão Luis Henrique Usai, comandante da Tropa de Choque.
Os presos estavam alojados do lado do muro que dá acesso à rodovia Abrão Assed. “Seria uma rota de fuga perfeita”, disse a esposa de um presidiário que não quis se identificar.
Segundo o capitão, foram encontradas barras de ferro transformadas em facas (espetos). “Eles quebram as paredes e arrancam os ferros e afinam para usar como armas”, disse.
Usai avalia que a situação no CDP está sob controle. Não houve reação dos detentos durante a transferência de alas. “Está tudo destruído, acredito que para fazer a reforma do local os detentos terão que sair de lá”, disse.
Nos últimos dias, 92 foram transferidos para o Centro de Detenção de Araraquara.
A Secretaria de Administração Penitenciária não admite a existência de um túnel e informou em nota que a Tropa de Choque da PM foi acionada para dar apoio aos agentes de segurança penitenciária em revista interna na unidade prisional e que foram encontrados 2 celulares.


Ameaça do PCC barra transferência de detentos
Durante conversas informais, a direção do Centro de Detenção Provisória de Ribeirão Preto informou a alguns advogados que não pode transferir os presos para outras unidades porque eles podem sofrer represálias do PCC (Primeiro Comando da Capital). O motivo: eles teriam feito a rebelião sem autorização da facção criminosa.
“Não sabemos se é verídica essa informação ou se é apenas uma desculpa para não fazer a transferência, o que temos certeza é que o CDP não tem condições de funcionar”, afirmou um advogado que prefere não se identificar.
Esta semana, mesmo com a liminar da Justiça Federal, os advogados não tiveram acesso aos clientes. A direção da unidade alega que não existe segurança.

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