Vicente Golfeto
Sexta-Feira, 25 de Abril 2008 - 23h10 O avanço do uso da internet entre os jovens – mas entre outras pessoas também – diminui o tempo que eles passam expostos à televisão. Cai, portanto, a importância desta mídia. E num tempo mais rápido – próprio da época acelerada em que vivemos – do que foi a perda de importância do rádio.
Mas, se o rádio foi o império da audição, a televisão confirma o que começara com a fotografia e prosseguiu com o cinema: o domínio do olho. E este nos engana, não raro. É que o olho tem que estar sempre posto no futuro mas os pés precisam estar no presente. A audição, por seu turno, é atemporal.
Este dilema se projeta no nosso quotidiano mas tem mudado inclusive o processo educacional a partir da instituição do que se denomina de ensino a distância. Que não é propriamente – como comentamos em outra oportunidade – uma novidade. Ele reedita o que era denominado de curso vago ou por correspondência. São modalidades de ensino em que a presença do professor é contada. Mas bem menos do que a tradicional, como professor em sala de aula.
Tem jeito de a televisão resgatar a importância que – parece – ela começa a perder? Os estudiosos dizem que sim. É plenamente possível. Quando o rádio foi desbancado pela televisão, o sentido utilizado foi alterado. Passou-se da audição para a visão. É próprio do ser humano acreditar muito mais na verdade vista do que ouvida. “A prova é que vi”, diz a testemunha, sempre muito mais convicta do que a que ouve. Sobretudo se ouviu falar.
No caso – televisão versus internet – o olho é mantido, vindo a audição apenas como auxiliar. Basta haver criatividade. Afinal, nem todos os cérebros processam na mesma velocidade o que os olhos vêem. Aí – cremos – pode residir uma das maneiras de dar à televisão condições de conquistar o que está perdendo: instituindo programas que sejam dirigidos a cérebros de toda velocidade. Os mais rápidos e os mais lentos.