Opinião
Sexta-Feira, 25 de Abril 2008 - 23h11 Na medida em que aumenta a demanda mundial por alimento cresce também o impacto do preço da comida sobre o bolso do consumidor. Não é preciso ser economista para aferir a alta espetacular do preço de arroz - só para dar um exemplo- nas prateleiras dos supermercados.
É o mesmo problema que já afetou o custo do feijão, que, embora não tenha voltado aos patamares antigos, já está um pouco mais barato. Como simplificou com todas as letras, uma dessas heróicas donas-de-casa, comentando o assunto, na televisão, “arroz-feijão, agora, é para rico”.
Mas não é só o prato mais básico da cozinha brasileira que está menos acessível ao povo. A cebola também está muito mais cara; o óleo de soja continua sua escalada e o trigo encarece o pãozinho e o macarrão.
O que se pergunta é por que o governo não estimula a agricultura familiar e a plantação de alimentos. Com área disponível que o país tem, seria a solução para todas as mazelas do abastecimento e dos orçamentos domésticos. Se, como afirma o Ministro da Agricultura, o Brasil tem arroz para todos e é auto-suficiente na produção, como explicar então que aqui também o preço dispare?
Como o mercado é sempre regulado pelo mecanismo de oferta e procura, seria de se esperar que não faltasse nunca o alimento, para que o preço fosse menos proibitivo. Mas aí é uma decisão política e depende de vontade e atitude. O que se quer estimular? O que se pretende como resultado? É possível, sim, fazer biocombustível e produzir alimentos. Basta que se planeje e se criem políticas favoráveis. Aí sim o arroz-feijão vai voltar para a marmita do povo. Sem esvaziar os tanques dos carros.