Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Sabado, 26 de Abril 2008 - 14h54

Strip-tease


John Perkins, economista norte-americano aposentado, publicou na Califórnia um livro de memórias (Confessions of an Economic Hit Man). Ele conta como realizou operações econômicas ilegais nos países pobres, criando condições para que os EUA lhes emprestassem dinheiro que eles não podiam pagar.
Em entrevista a Amy Goodman, na National Public Radio (espécie de TV Cultura dos EUA), ele disse que seu trabalho, realizado com suborno e chantagem, era fazer que os recursos dos países pobres passassem “a nossas corporações e nosso governo”. Ele foi recrutado pela National Security Agency (Agência Nacional de Segurança) e treinado pela CIA para trabalhar na “iniciativa privada”. Entre as façanhas de agentes como ele, inspirados por Kemit Roosevelt, está a derrubada do governo democrático de Mossadegh, no Irã. Para que os EUA não sejam flagrados nas conspirações, gente do seu tipo sai da CIA e é contratada por empresas particulares.
Assim ele entrou para uma empresa de Boston, chefiando 50 economistas cuja principal atividade era emprestar dinheiro a quem não podia pagar.
Noventa por cento dos empréstimos deviam ser aplicados em obras realizadas por empreiteiras norte-americanas. Segundo ele: “Essas empresas construíram sistemas de energia elétrica, portos ou estradas, projetos que basicamente serviam apenas às famílias mais ricas desses países”.
Fim do enredo: “Assim, quando queremos petróleo vamos ao Equador e dizemos, se não podem pagar suas dívidas entreguem seus bosques amazônicos, que estão cheios de óleo, a nossas companhias petrolíferas. E hoje estamos entrando e tomando a Amazônia, obrigando o Equador a entregá-la, porque acumulou muita dívida”.
O Império se desnuda.

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