Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Sabado, 26 de Abril 2008 - 14h54

Armadas e perigosas


Enquanto homens, temos a ilusão de que as mulheres se vestem para nós. Iludir-se faz parte da natureza masculina. Além do mais, esta expectativa, a de imaginar que elas vão ao shopping, arrebentam com nosso cartão de crédito e compram o bilionésimo sapato grená pensando em nos seduzir, não é algo que nos desagrade de todo.
Suspeito, o que no caso de mulheres é o máximo de certeza que me permito, que elas têm objetivos bem mais, digamos, diabólicos, quando encontram aquele vestidinho ma-ra-vi-lho-so na vitrine. Você, meu caro desavisado, talvez veja apenas algumas parcelas a mais na sua conta. Elas vêem poder!
Lembra do cinto de mil e uma utilidades do seu super-herói de infância? Cada roupa, sapato, cabelo (e a fantástica combinação que elas fazem disso tudo) é uma arma potencial pronta para ser usada. E diferente do sujeito com a cueca por cima da malha, que você tanto admirava, os resultados estéticos são sensivelmente mais agradáveis no caso delas. Espero que você concorde.
Cada uma em seu estilo próprio, cada mulher tenta ser a mais linda, sedutora e elegante. Entre elas! Este é o ponto, o verdadeiro combate a ser travado. Aquele monte de roupas com que elas lotam tantos guarda-roupas quanto haja em casa são trincheiras levantadas, uma preparação para a batalha onde elas disputarão, palmo a palmo, blusa a blusa, qual delas mais se sobressai frente às outras.
Sim, companheiro, a máxima de que elas se despem para nós e se vestem para elas mesmas é exata. De minha parte, não tenho motivos para reclamação. Desde que a primeira parte seja rápida e a segunda não demore tanto.

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