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Sabado, 26 de Abril 2008 - 16h33

Região tem chuva recorde no mês de abril


O que choveu até agora, neste mês, já é quase 10 vezes o volume registrado em abril do ano passado e quase o dobro da média histórica, considerando os últimos 74 anos. Isto em Ribeirão Preto. Em algumas cidades da região, os números são mais impressionantes: abril de 2008, que ainda não terminou, já registra o maior volume de chuva da história para este mês.
Os números relativos a Ribeirão Preto, obtidos junto à Estação Experimental da Secretaria Estadual da Agricultura, indicam que a marca de chuva em abril de 2008 foi de 129,5 mm. No ano passado, abril registrou 15,6 mm. Bem menos que os 188,2 mm de 1937, 173,4 mm de abril de 1973, 128,3 mm de 1975, 293,1 mm de 1977 (maior marca da história), 157,2 mm de 1980, 162,3 mm de 1983, 183,3 mm de 1988 e os 222,7 mm de 1991. A média para o mês, considerada desde 1934, é de 73,3 mm.
Já em Orlândia, segundo dados fornecidos pela Carol - Cooperativa dos Agricultores da Região de Orlândia, a chuva deste mês que ainda não terminou já soma 267,5 mm e se constitui na maior marca dos últimos 55 anos, desde que a cooperativa tem os dados coletados. Significa mais que três vezes a média histórica de 82,4 mm considerada desde 1952. No ano passado, durante abril, em Orlândia, choveu 32,8 mm.
As outras marcas expressivas de abril no município são de 1955 ((159,8 mm), 1957 (210,6 mm), 1973 (213,5 mm), 1977 (235,8 mm), 1983 (184,3 mm), 1984 (183,4 mm), 1988 (184,9 mm), 1991 (173,5 mm) e 2004 (198,7 mm). A média para o mês em Orlândia, considerada desde 1952 (sem incluir 2008), é de 82,4 mm.
Os números de abril de 2008 são expressivos também em outros municípios da região onde a Carol faz a medição, todos eles superando Ribeirão Preto: 275,0 mm em Barretos, 204,1 mm em Batatais, 197,5 mm em Guaíra, 228,0 mm em Guará, 235,6 mm em Ituverava, 254,0 mm em Morro Agudo e 234,0 mm em São Joaquim da Barra. Também são marcas recordes na história.
Os números comparativos demonstram que não é normal o volume de chuva que está ocorrendo em abril deste ano, e os produtores rurais não reclamam. Pelo contrário, comemoram. Esta condição climática é excelente para a safrinha de milho ou sorgo, embora ainda se tornem necessárias novas chuvas para os períodos de florescimento e pendoamento das plantas.
Em relação à cana-de-açúcar, principal cultura da região, as chuvas constantes da primeira quinzena de abril prejudicaram o andamento da colheita, seja corte manual ou mecanizado. Mas os produtores não se queixam, porque a safra ainda está no início e, além disso, a umidade favorece a cana que está para ser colhida no segundo semestre e também a cana plantada em fevereiro e março a ser colhida em 2009.

Ajuda do governo federal
Os temporais que atingiram a região Nordeste do Brasil neste mês levaram o governo federal a estudar medidas para compensar as perdas sofridas pelos agricultores.
Segundo o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, a assistência por meio do Programa Garantia Safra deve ser ampliada.
“Ele [o programa] só prevê o ressarcimento em caso de perdas por estiagem, que é o comum no Nordeste. Foi ponderado que o Ministério do Desenvolvimento Agrário, ao qual está vinculado esse programa, que examine a extensão do programa também para as áreas atingidas por perdas de safra em função de enchentes”, diz Geddel.

Cinco parcelas
O Programa Garantia Safra do governo federal garante o pagamento de R$ 550 para agricultores familiares do semi-árido com perdas acima de 50%.
A condição básica para aderir ao programa é que cada família tenha renda per capita de até 1,5 salário mínimo.
As culturas seguradas pelo programa são as segunites: feijão, arroz, mandioca, milho e algodão.
O seguro é pago em cinco parcelas iguais de R$ 110. (Agência Brasil)


Carlos Alberto Nonino
Especial para A Cidade

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