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Economia

Sabado, 26 de Abril 2008 - 16h37

Uso de energia solar pode virar lei


Dois projetos tratando sobre a obrigatoriedade de instalação de sistema de aquecimento de água por energia solar, em Ribeirão Preto, podem entrar na pauta da Câmara Municipal durante a semana.
Um trata sobre os prédios públicos e conjuntos habitacionais. O outro enquadra todas as novas construções no município com área superior a 120 metros quadrados. O objetivo: economia de energia e benefício para o meio ambiente.
O projeto da vereadora Silvana Resende (PSDB) pretende que o poder público, adotando o sistema de captação de energia solar em construções sob sua responsabilidade, sirva de exemplo para a iniciativa particular.
Já a proposta do vereador Gilberto Abreu (PV), mais abrangente, estabelece que qualquer projeto de construção, com área igual ou superior a 120 m2, só será aprovada pela Prefeitura se nele estiverem previstas instalações hidráulica, elétrica e civil predial necessárias para o aquecimento da água pelo sol.
Esta técnica permite uma economia substancial de energia elétrica, argumentam os dois vereadores. E se justifica, acrescenta Gilberto Abreu, “pois enseja o enquadramento na nova realidade planetária, numa região como a nossa, que possui condição climática sub-tropical de intensa insolação, ao lado de beneficiar os consumidores de energia”.

Economia evidente
A economia é evidente, afirma Carlos Henrique Zorzenon, empresário da área de revenda de equipamentos para sistema de captação da energia solar.
“Em três anos é possível recuperar o investimento, graças ao que se gasta menos com energia elétrica”, diz ele.
Zorzenon afirma que, hoje, mais de 95% das novas residências de porte grande ou médio, em Ribeirão Preto, recorrem ao aquecimento solar. Para as de porte menor, também há procura. Ele cita o exemplo do bairro Planalto Verde, onde 40% das casas têm o sistema de captação da energia gerada pelo sol.

Técnica tem 30 anos no país
A adoção da técnica de energia solar começou há cerca de 30 anos no Brasil e, desde então, evoluiu constantemente, afirma o empresário Carlos Henrique Zorzenon, citando que passou a existir o sistema compacto, “que dispensa quebrar paredes”, o que facilita a instalação em residências já existentes.
Também já não é condição indispensável o encanamento cromado, servindo o de PVC.

O custo
O custo, incluindo placas e reservatório, varia de 2.000 a 3.000 reais, dependendo do número de placas e da capacidade do reservatório.
Os empresários do setor recomendam “não comprar gato por lebre”, mas procurar equipamentos aprovados pelo Inmetro - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial.
Apontam também a vantagem quanto à manutenção. “Basta limpar as placas uma vez por ano”.
A economia média de energia elétrica gira em torno de 30%, “porque dispensa o gasto no chuveiro, que é o vilão da conta de luz”, avalia Wilson Castelhano Júnior, empresário do setor.

Período chuvoso
Mas é preciso considerar que a água não esquenta após dias seguidos de chuva, o que, nessa condição, obriga o uso do aquecedor elétrico, que consome muita energia.
Também é necessário ter cuidado para não pagar mais com a conta de água, o que acontece quando se abre mais a torneira para “um banho prazeroso”.
Mas, pesando prós e contras, a opinião geral dos especialistas é que “vale a pena” adotar o sistema de aquecimento pela energia solar.

Principais países
Pelos últimos dados disponíveis, em 2004 a capacidade instalada mundial de energia solar era de 2,6 GW, cerca de 18% da capacidade instalada de Itaipu. Os principais países produtores, curiosamente, estavam situados em latitudes médias e altas.
O maior produtor mundial era o Japão, seguido da Alemanha e Estados Unidos.

CARLOS ALBERTO NONINO
ESPECIAL PARA A CIDADE

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