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Sabado, 26 de Abril 2008 - 16h40

Etanol atrai gigantes do petróleo

Hélio Pellissari
WEBER SIAN Etanol atrai gigantes do petróleo GIGANTE Usina Santa Elisa, em Sertãozinho, é a maior usina do grupo SantelisaVale na região de RP

O anúncio nesta semana da compra de 50% da Tropical Bioenergia, uma joint-venture formada pelos grupos Maeda e SantelisaVale pela gigante inglesa British Petroleum (BP), marca a entrada das multinacionais do petróleo no mercado do etanol brasileiro.
O setor desperta o interesse de grupos multinacionais há vários anos.
O valor da compra foi de R$ 100 milhões. A empresa inglesa passa a ser a controladora da empresa e prevê investir R$ 1,66 bilhão na implantação de duas usinas no centro-oeste.
A primeira delas começa a funcionar em Edéia (GO) em julho deste ano e deve procesar 4,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar até a metade de 2010. A nova unidade deve produzir 435 milhões de litros de etanol por ano.
No mesmo dia, o Grupo Cosan, o maior produtor de açúcar e álcool do país, anunciou a compra, por US$ 826 milhões, de 100% dos ativos da Esso no Brasil.
O grupo passa a ter agora a sua própria rede de distribuição de combustíveis. Hoje, no Estado de São Paulo, o álcool já representa 60% das vendas de combustíveis.

Interesse internacional
Mas o interesse direto pelo setor por grupos internacionais está ficando cada vez mais freqüente. Na região, o grupo São Martinho, dono da usina em Pradópolis, também possui um contrato para a produção de álcool para bebidas em conjunto com a Mitsubishi do Japão.
A americana Cargill também já vem investindo no setor de produção de açúcar e álcool desde o ano passado.
A usina Guarani também foi adquirida há três anos por um grupo de investidores franceses.
Segundo o diretor da Usina São Francisco, que pertence ao grupo Balbo, Jairo Balbo, a entrada de grandes grupos internacionais no setor está cada vez mais comum.
Para ele, o anúncio da entrada da britânica British Petroleum é mais um passo dentro deste avanço. “Acho que o mundo começa a olhar para o mercado de etanol brasileiro de outra forma”, explica Jairo Balbo.
Para ele, a tendência de valorização do álcool veio para ficar e a geração de negócios deve aumentar.
Para Jairo Balbo, é importante que as empresas saibam o momento para receber estes investimentos.
“Todo mundo que está no setor já foi procurado por alguém. Nós mesmo já tivemos proposta de investidores internacionais. Mas não temos interesse em vender”, garante o usineiro.

SantelisaVale é o segundo maior grupo

A SantelisaVale (formada pela fusão dos grupos Santa Elisa e Vale do Rosário) é o segundo maior grupo de produção de açúcar e álcool do país. Ficando atrás apenas do grupo Cosan.
Formada pela usinas Santa Elisa, em Sertãozinho, Vale do Rosário e MB em Morro Agudo e Jardeste em Jardinópolis. A empresa é comandada por Anselmo Lopes Rodrigues.
No ano passado, o grupo moeu 18 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, com a produção de 723 milhões de litros de álcool e 22 milhões de toneladas de açúcar.
O grupo também comercializou 417 mil MWh de energia elétrica.
O grupo também tem uma participação de 27% na Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA) e detém 72% da Crystalserv, empresa responsável pela exportação de açúcar e álcool de 13 usinas na região de Ribeirão Preto.

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