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Especial

Sabado, 26 de Abril 2008 - 18h30

Cidades sem hospital sobrecarregam RP

Nicola Tornatore

O que tem em comum as cidades de Barrinha, Brodowski, Cássia dos Coqueiros, Dumont, Guatapará, Luiz Antonio, Pradópolis, Santa Cruz da Esperança, Santa Rosa de Viterbo, São Simão e Serra Azul?
São todos municípios da área da Direção Regional de Saúde (DRS-13), com sede em Ribeirão Preto, e nenhum deles possui hospital conveniado ao SUS (Sistema Único de Saúde).
Como os hospitais de Ribeirão Preto (Hospital das Clínicas, Santa Casa de Misericórdia e Beneficência Portuguesa) são referência regional para o SUS, os doentes dessas cidades são encaminhados para eles e acabam “disputando” os leitos para internação de urgências e emergências com moradores de Ribeirão.
“De certa forma, os pacientes de fora competem com os moradores de Ribeirão Preto pelas vagas. Por isso, quando a demanda aumenta, acontece de moradores nossos terem de ficar esperando por leitos nas UBDSs”, explica Oswaldo Cruz Franco, secretário municipal de Saúde.
Nos últimos dois meses, muitos pacientes passaram pela agonia de aguardar até vários dias por um leito hospitalar, enquanto são mantidos em unidades distritais de Saúde.
No último final de semana, uma idosa de 92 anos ficou 50 horas na UBDS do Sumarezinho, até conseguir ser internada na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas.

Agonia vai continuar
“Isso vai continuar acontecendo” alerta Franco.
Segundo ele, a população dos municípios sem hospital não pára de crescer, os avanços da Medicina aumentam a longevidade dos habitantes e cada vez é maior o fluxo de pacientes idosos, com doenças crônicas - exatamente aqueles que ocupam os leitos por mais tempo.

Alta complexidade
Além de suportar a crescente demanda vinda da região, os hospitais de Ribeirão Preto continuam recebendo pacientes das demais 25 cidades da área Direção Regional de Saúde.
“A explicação é simples. As sedes dos outros dois colegiados, as Santas Casas de Sertãozinho e Batatais, não estão credenciadas para várias procedimentos de alta complexidade. Assim, mesmo sendo morador de município que não faz parte do nosso colegiado, ele acaba sendo encaminhado para Ribeirão Preto”, explica Franco.
Para ele, não há solução em curto prazo para a falta de vagas para internação de urgências e emergências.
Em médio prazo, ele sugere a criação de um hospital especializado em pacientes com doenças crônicas degenerativas (leia ao lado).

Estado
A Secretaria de Estado da Saúde informou que não há planos de investimento num novo hospital em Ribeirão Preto, como sugere o secretário municipal da Saúde Oswaldo Cruz Franco.
Lembrando a inauguração, mês passado, pelo governador José Serra, do Hospital Estadual de Ribeirão Preto, a secretaria informa que, até o final do ano, serão feitos investimentos em duas instituições - na Mater-Maternidade do Complexo Aeroporto que será transformada num Hospital da Mulher, de referência regional, e no novo hospital de Serrana, já concluído, que terá vinte leitos para urgências e emergências médicas na área de ortopedia.

Nova pactuação regional do SUS não alivia RP
Os problemas decorrentes da internação, em Ribeirão, de pacientes oriundos da região não são recentes.
No início do segundo semestre do ano passado, numa atitude inédita, a Santa Casa e a Beneficência Portuguesa decidiram suspender, unilateralmente, a internação de urgências e emergências médicas da região, alegando que a defasagem da tabela do SUS estava colocando em risco a sobrevivência das duas instituições.
Emergencialmente, a Secretaria de Estado da Saúde passou a encaminhar os pacientes da região para as Santas Casas de Batatais e Sertãozinho, fornecendo uma subvenção mensal.
No final do ano, para que Ribeirão retomasse o atendimento à região, a DRS-13 discutiu com as 26 cidades uma nova “pactuação” - os critérios para o fluxo de internações.
Na nova pactuação, os 26 municípios foram divididos em três colegiados. O de Ribeirão, batizado de Aqüífero Guarani, ficou com dez cidades - Jardinópolis, Serrana, Serra Azul, Cravinhos, Guatapará, Luiz Antonio, São Simão, Santa Rosa do Viterbo e Santa Rita do Passa Quatro.
Batatais, sede do colegiado Vale das Cachoeiras, ficou responsável pelos municípios de Altinópolis, Brodowski, Cajuru, Cássia dos Coqueiros, Santa Cruz da Esperança e Santo Antonio da Alegria.
Já Sertãozinho, sede do colegiado Horizonte Verde, assumiu os pacientes de Dumont, Guariba, Jaboticabal, Monte Alto, Pitangueiras, Pradópolis, Pontal e Barrinha.
Mas a divisão da DRS-13 em três colegiados não foi suficiente para reduzir o fluxo de pacientes para Ribeirão. É que as Santas Casas de Sertãozinho e Batatais não estão aptas para assumir casos de alta complexidade, que continuam sendo encaminhados para Ribeirão Preto.

Secretário propõe hospital para doenças degenerativas
Para o secretário municipal de Saúde de Ribeirão Preto, Oswaldo Cruz Franco, a falta de vagas para internação de urgências e emergências médicas seria solucionada com a criação de um novo hospital, voltado ao atendimento de pacientes com doenças crônicas degenerativas.
Segundo Franco, ao contrário de um hospital geral, que tem custos elevados de instalação e operação, um hospital com esse perfil é bem mais barato.
“São pacientes com doenças crônicas que mais tempo ocupam os leitos disponíveis em nossos hospitais, reduzindo a rotatividade necessária para dar conta do fluxo de internações”, comenta.
Franco até indica o local onde o Estado poderia instalar essa nova unidade - o Abrigo Anna Diederichsen, antigo hospital de tuberculosos da Santa Casa de Misericórdia, localizado na rua Pernambuco, nos Campos Elíseos. O prédio está desocupado atualmente.

Saúde não tem planos
A Secretaria de Estado da Saúde não tem planos para a construção em curto prazo de um novo hospital em Ribeirão Preto.
No mês passado o governador José Serra esteve na cidade para inaugurar o Hospital Estadual de Ribeirão Preto, com cinqüenta leitos, que é ligado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina/USP.
Esse hospital, localizado ao lado da DRS-13, no Jardim João Rossi, não possui CTI (Centro de Terapia Intensiva) e não atende urgências e emergências médicas, tendo sido idealizado para realizar cirurgias eletivas (não urgentes) e desafogar a fila de espera do Hospital das Clínicas.

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