Especial
Sabado, 26 de Abril 2008 - 18h32 Localizado a 60 km de Ribeirão Preto, Luiz Antonio é tido como um dos mais “ricos” entre os pequenos municípios da região.
Tem apenas 11 mil habitantes e um orçamento anual de R$ 30 milhões, parte dele oriundo dos impostos de duas grandes empresas - a International Papers (antiga VCP/Votorantim Celulose e Papel) e a Central Energética Moreno (usina de açúcar e álcool).
Apesar de aparentemente dispor de recursos, a Prefeitura não tem planos de construir um hospital. Mais do que isso, considera a idéia equivocada.
“Quando fui prefeito pela primeira vez, na década de 90, sonhava em construir um hospital. Era coisa de iniciante. Hoje, está bem claro que a cidade não comporta um hospital, a relação custo/benefício não vale a pena” disse o prefeito Izaias Leão de Souza.” Construir um hospital não é tão caro, caro é mantê-lo”, resume.
Só com 50 mil
A secretária municipal de Saúde, Sônia Mara Neves Ferri, reforça a argumentação do chefe do Executivo.
“A própria Secretaria de Estado da Saúde diz que cidades com menos de 50 mil habitantes não têm condições de manter um hospital”, afirma.
No ano passado, Luiz Antonio encaminhou para internação em hospitais de Ribeirão Preto, em média, 38 moradores por mês (ou 456 no ano).
A frota de veículos, incluindo ambulâncias e ônibus para transporte de pacientes, foi recentemente ampliada, com a compra de mais duas ambulâncias - agora são nove.
Sônia Ferri não sabe nem informar quantas viagens são feitas por dia. “É o dia inteiro, vai e volta”, conta.
Segundo ela, moradores de Luiz Antonio também sofrem com a falta de vagas para internação nos hospitais de Ribeirão Preto.
“Acontece com o morador daqui o mesmo que com o morador de Ribeirão. Em nossa unidade de saúde, temos equipamentos para estabilizar o paciente quando não há vagas em Ribeirão”, explica.
Segundo ela, um morador de Luiz Antonio chega a ter preferência, na hora de buscar um leito hospitalar, em relação ao de Ribeirão.
“É uma questão de distância. Um morador de Ribeirão, mantido estabilizado numa UBDS, está a cinco minutos do hospital. Nós, aqui, estamos a 45 minutos. Por isso, em casos mais graves, temos preferência”, argumenta.
21 dos 23 médicos de Luiz Antonio moram em Ribeirão Preto
Luiz Antonio concentrara seu atendimento na área da saúde na atenção primária (procedimentos ambulatoriais simples).
Na atenção secundária, possui algumas especialidades, como cardiologia e neurologia, mas não tem outras, como otorrino, dermatologia e pneumologia.
Nessas, os pacientes são atendidos em Ribeirão. A cidade não faz partos nem cirurgias mais simples.
“Não temos todas as especialidades, mas o que temos é de qualidade. São 23 médicos, oito dentistas, quatro fisioterapeutas, dois fonoaudiólogos, cinco psicólogos e até psiquiatra”, afirma o prefeito. Dos 23 médicos, apenas dois moram em Luiz Antonio. Os demais 21 são residentes em Ribeirão - a própria secretária municipal da Saúde, Sônia Ferri, é médica licenciada do HC.
Segundo o prefeito, seus médicos ganham mais do que a média de outras cidades. “São R$ 2,7 mil por vinte horas semanais”, diz.
A idéia de não ter hospital, porém, não é uma unanimidade. “Maria Emídia, 78, já esteve várias vezes em Ribeirão, em tratamento médico. “Seria bom ter hospital aqui, na hora da precisão, tem de ir em Ribeirão, que é muito longe”, afirma.