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Sabado, 26 de Abril 2008 - 20h29

Agrishow debate falta de alimentos

Adriana Matiuzo

A discussão sobre a crise mundial no abastecimento de alimentos deve chegar à 15ª edição da Agrishow em Ribeirão Preto que começa amanhã. A própria organização da feira, que é a maior de agronegócio na América Latina, aposta no tema como um dos assuntos de maior repercussão durante o evento.
O Brasil, maior produtor de álcool do mundo hoje, entrou no centro da polêmica este mês, quando foi acusado pela ONU (Organização das Nações Unidas) e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) de substituir suas lavouras tradicionais pelas de cana para a produção de biocombustíveis.
A discussão do assunto deve ganhar força com a presença de 135 mil visitantes, esperados durante a feira, grande parte produtores do Brasil e de outros países. Os negócios devem chegar a R$ 800 milhões. Mas, é a presença do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, confirmada para esta terça, e a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), agendada para a próxima sexta que devem fomentar ainda mais o debate.
Para o professor de estratégia da FEA (Faculdade de Economia e Administração) da USP de RP Marcos Fava Neves, é interessante que o tema seja discutido no evento. Ele acha que o debate trará cada vez mais clareza sobre o papel do Brasil no mercado internacional. Ele também afirma acreditar que é o momento ideal para que o agronegócio se una e mostre quais as causas reais da crise.
“É bom discutir porque o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Os EUA e a Europa precisam reconhecer isso. Quem pensa que os biocombustíveis estão competindo com a produção de alimentos, está muito mal-informado”, disse o professor.
Neves afirma ainda que os países desenvolvidos precisam abrir seus mercados para que a produção de alimentos nos países em desenvolvimento cresça. Segundo ele, foi o protecionismo internacional que emperrou a produção de alimentos nos países emergentes.
O professor afirma ainda que o Brasil tem tido a atitude certa ao produzir álcool a partir da cana e que é uma “aberração” produzir álcool a partir do milho, como fazem os Estados Unidos.

Ritmo acelerado marca preparativos da feira que começa amanhã
O final de semana foi de muito trabalho na Fazenda Experimental, onde acontece a Agrishow. O que se via por toda a área da feira eram equipes mobilizadas para instalar o sistema de telefonia, para concluir a instalação dos estandes e fazer a limpeza das salas.
A empresária Sione Humphrex Ferreira, dona da Nova Forma Eventos Promocionais, mantinha 30 funcionários trabalhando a todo o vapor. Ao todo, cinco carretas de 18 metros vieram de Sorocaba. O trabalho era cronometrado para que o estande fosse entregue ainda hoje.
No estande da Netafim Brasil Sistemas de Irrigação, os funcionários trabalharam quase 24h de sexta para sábado. A meta era terminar tudo ainda ontem.
Já do lado de fora, como sempre, a movimentação fica por conta de bares, restaurantes e boates empolgados com o grande número de turistas na cidade. Os italianos de Brescia Romeo Faganelli e Giorgio Zonta, que são sócios, estão na cidade pela 10ª vez e dizem adorar a noite de Ribeirão.
Os dois, que juntam lazer e negócios, dizem adorar a animação noturna da avenida Presidente Vargas e as churrascarias e choperias de Ribeirão.

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