Esportes
Terça-Feira, 29 de Abril 2008 - 23h20
CONFIANÇA Graziele e Marlúci já estão juntas há dois anos e enfrentam obstáculos em busca de resultados
A atleta ribeirão-pretana Graziele Luzia Falho de Carvalho, de apenas 17 anos, conquistou vaga nos 400m do Circuito Nacional Caixa Brasil Paraolímpico. A portadora de deficiência visual cravou a marca de 1mim26s36 na seletiva que aconteceu no último final de semana em Brasília.
Com a marca, a atleta paraolímpica ficou com o quarto lugar da prova. Porém, Graziele não voltou para Ribeirão sem medalhas. Ela foi a terceira nos 100m e também nos 200m, porém sem atingir o índice para o Circuito Nacional.
“Foi um campeonato muito forte e muito difícil. Em Brasília o ar é muito seco, tem hora que você não consegue respirar. Mas mesmo assim estou feliz com os resultados. Espero que nas próximas provas consiga abaixar ainda mais meus tempos”, disse Graziele.
Sua treinadora e guia durante as provas, Marlúci Fernandes, ressaltou que o torneio conta com atletas da seleção paraolímpica, o que aumenta ainda mais o feito.
Marlúci, que também representa Ribeirão em provas pelo Brasil (heptatlo), diz que a vitória de sua comandada é até mais importante que as suas. “É difícil saber o que é mais gratificante, os dois são, mas acho que é melhor ela ganhar, para mim é muito gratificante por causa das dificuldades de trabalho”, disse.
Com a vaga garantida, Graziele espera agora o início das inscrições do circuito nacional. No próximo dia 22 de maio ela deve participar de mais uma prova. “Treino de segunda a sábado mais de três horas por dia. Estava meio receosa com os resultados nesta prova, já que era a primeira do ano. Foi uma surpresa. Mas no dia 22 quero abaixar meus tempos”, disse.
Benefícios
Deficiente visual desde o nascimento, Graziele aponta os benefícios que o esporte a traz. “Aumenta muito minha disposição. Comecei a praticar em 2005 como uma brincadeira e hoje levo mais a sério. O esporte te ensina muita coisa, não é sempre que você vence, isso é importante você aprender”.
No caso dela, Graziele apontou que o esporte também ensina a ter mais confiança nas pessoas. “Já estou com a Marlúci há mais de dois anos. É preciso ter muita confiança no seu guia, pois os guias são seus olhos na prova”, comentou.
Falta de recursos atrapalha
O feito de Graziele Luzia Falho de Carvalho poderia ter sido repetido por outros atletas de Ribeirão.
Seis portadores de deficiência física estavam com vagas garantidas na etapa regional do Circuito Paraolímpico, mas não puderam viajar por falta de apoio de órgãos públicos ou da iniciativa privada, sendo que a Associação dos Amigos do Deficiente Físico só pode bancar a participação de Graziele.
Lucas Henrique da Costa, Claire Borges, Wellington Barbara, Phelipe Augusto, Rafael Setti e Adriano Santos ficaram de fora da disputa.
“Fiz um pedido da verba com mais de um mês de antecedência para a Secretaria Municipal de Esportes e quando chegou no dia da viagem não tinha nada. Muitos atletas tinham chances de irem bem e conquistarem a vaga para o Circuito Nacional, mas infelizmente ficaram de fora”, disse Marlúci.
JEAN VICENTE