Vicente Golfeto
Terça-Feira, 29 de Abril 2008 - 23h31 Não tenho visto mais mas, no passado, observava sempre alguns monges dedilhando as contas do rosário e orando seguidamente. Não era terço, não. Era rosário mesmo. Andando pelas ruas – creio, com muito mais razão, que também nas celas – o religioso não parava de orar. Via-se pelo movimento dos lábios, cadenciado com o movimento tanto das mãos como, principalmente, dos dedos. E me vinham à mente duas recomendações do texto sagrado. A primeira: “orai e vigiai”. Oravam para se defender do que viam, do mundo. Mundo também é um adjetivo cujo antônimo é imundo, sujo. E também “orai sem cessar”. O cumprimento desta última era evidente.
A presença do rosário fazia pressupor as orações. Não eram jaculatórias, que são orações curtas e fervorosas. O pai nosso, a oração que Jesus Cristo nos ensinou e nos indicou, não é uma jaculatória. Mas Tomé nos ensina uma. Poderosa: “meu Senhor e meu Deus”, pronunciada exatamente no momento em que se submete ao Cristo de Deus, depois de dúvidas imensas. O nome anterior de Tomé era Dídimo, que quer dizer dividido, gêmeo, em duas partes.
Santo Agostinho, no período da conversão, pedia a Deus o seguinte: “Senhor, faça-me virtuoso”. Pedro, no momento em que afundava nas águas – no mar da vida – por falta de fé, apela a Deus: “Senhor, salva-me”. Esta jaculatória é muito forte.
Há muitas outras. Que são menos difíceis – exatamente porque bem mais curtas – do que as que constam do rosário. Ou do terço.
O hábito, a batina, ainda representava um escudo a defender os frades da alcunha de louco, quando orando pelas ruas. Agora, se um dos leigos sair por aí com um rosário na mão e apelando a Deus, de pronto verá alguns risinhos e ouvirá comentários diferentes.
Com jaculatórias seria menos difícil? Não saberia responder de pronto mas elas são muito poderosas. Afinal, para Deus também deve valer o provérbio latino: “sê breve e agradarás”.