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Opinião

Terça-Feira, 29 de Abril 2008 - 23h32

Mudança de hábito


A notícia da dramática interrupção de uma cirurgia de transplante de fígado por falta de sangue, por uma equipe de excelência, do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, nos remete, a todos, à perplexidade absoluta diante da precariedade que os profissionais da saúde enfrentam.
Sangue é matéria humana, não é mercadoria nem produto industrial. Depende da generosidade dos doadores para chegar aos pacientes. E se não há doadores de vida, não há milagre possível.
Chegamos diante do seguinte dilema: desenvolvemos a tecnologia para a cirurgia; desenvolvemos a técnica para o transplante; estudamos milhares de anos para dominar a anatomia humana. Mas não conseguimos aumentar a capacidade de doação do ser humano. Ainda nos mantemos egoisticamente em nossos sofás, apesar dos apelos para que levantemos e façamos alguma coisa para quem precisa.
É o mesmo mecanismo que obriga as autoridades sanitárias a bradar nas televisões e jornais, pedindo que se limpe os quintais e terrenos baldios, para evitar a proliferação do mosquito que transmite a dengue e pode transmitir a febre amarela.
Poucos ouvem. Uma quantidade menor ainda de cidadãos toma providências. E assistimos, às vezes em grandes proporções, como recentemente no Rio de Janeiro, ao triste espetáculo da catástrofe urbana, com tendas de campanha e um clima de guerra - e desolação. Na região, as conseqüências são menos nefastas porém não menos graves. É contra isso que precisamos nos precaver. E pensar seriamente em mudar de atitude. Só então poderemos cobrar mais dos serviços públicos.

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