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Terça-Feira, 29 de Abril 2008 - 23h48

MEC supervisionará Medicina da Unaerp


O curso de Medicina da Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto) é um dos 17 no País que serão supervisionados pelo Ministério da Educação. Em último caso, pode até mesmo ser fechado.
A medida foi tomada, em conseqüência do mau desempenho da instituição em exames de avaliação do governo.
O curso recebeu nota 2 no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) e nota 1 no IDD (Indicador de Diferenças entre o Esperado e o Observado). Em ambos o caso, a nota máxima é 5 a mediana é 3.
A universidade será obrigada a oferecer uma série de diagnósticos ao MEC onde indicará as razões pelo baixo desempenho, além de propor medidas para sanar os problemas.
Entre outros aspectos, serão avaliados a organização didático-pedagógica, o perfil do quadro discente e a oferta de vagas nos processos seletivos da Unaerp.
A Secretaria de Educação Superior, ligada ao MEC, irá acompanhar as medidas e deve enviar equipe para a cidade para avaliar a instituição. Caso considere as medidas apresentadas insuficientes para corrigir as deficiências, o MEC vai aplicar penalidades que vão desde diminuição do número de vagas oferecidas no vestibular até desativação do curso.
Para o Chester César, especialista em Saúde pela USP, a medida pode ser benéfica para a universidade.
“Assim como ocorreu com o Direito, onde o MEC atuou, a supervisão pode melhorar o curso e o nível da Medicina no País”, avalia. “É preciso exigir qualidade”, disse.


Para Jatene, quantidade reduz qualidade
Para o cardiologista Adib Jatene, ex-ministro da Saúde e presidente da comissão que auxilia o MEC na supervisão dos cursos de medicina, o crescimento do número de cursos de medicina (saltou de 80, em 1994, para 175, em 2008) causou queda na qualidade dos cursos.
Segundo ele, agora é preciso reverter esse quadro apostando em regras mais rígidas. “Por exemplo, foi acrescentado um item eliminatório (para abrir um curso): nenhuma instituição que não tenha um complexo médico-hospitalar ambulatorial que seja referência regional há pelo menos dois anos pode ter um curso de medicina”, disse.



EDUARDO SCHIAVONI

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