Rodas e Cia
Terça-Feira, 29 de Abril 2008 - 23h58
PATRIMÔNIO Publicidade da GM mostra Opala com Redentor ao fundo
Modelo consagrado no mercado brasileiro, o Opala comemora este ano os 40 anos do início de sua produção no Brasil.
O carro foi apresentado pela General Motors no Salão do Automóvel de São Paulo, em 19 de novembro de 1968. Começava aí a história de amor entre o Opala e sua legião de fãs.
O modelo, cujo nome vem da fusão de dois produtos da GM (Opel e Impala), vendeu um milhão de unidades entre 1968 e 1992. Enquanto foi fabricado, o Opala foi sinônimo de luxo e status, usado por executivos e presidentes.
Por anos, foi o mais caro do país. Em 1980, surgiu o Diplomata, top de linha, que depois ganharia câmbio de cinco marchas. Em 1990, chegou ao mercado o Opala com motor de 4,1 litros, também com versão a álcool.
A abertura do mercado brasileiro para os veículos importados decretou o fim da produção do carro.
Os últimos cem Opalas produzidos traziam um vídeo sobre a história do carro e chaves douradas. O último ano de produção do automóvel foi 1992, quando foi produzido o Opala de número 1 milhão, em 16 de abril.
Centenas de órfãos do Opalão fizeram carreata, buzinando na porta da GM em São Caetano do Sul, protestando contra a descontinuação do modelo.
Fãs
Em Ribeirão, o advogado Guilherme Villela, de 28 anos, é um dos fãs do carro, orgulhoso proprietário de um dos Opalas mais desejados da década de 70, o automático.
A paixão pelo Opala tem origens na família. Por causa do pai, o advogado tomou gosto por carros mais antigos e se rendeu aos encantos do Opalão.
“Foi o primeiro carro zero quilômetro que meu pai comprou. Coincidentemente ele teve um 1974, o mesmo ano do meu”.
Por onde passa, Guilherme recebe ofertas pelo carro. “Sempre tem alguém que pergunta se quero vender, dizendo que gosta porque o pai também teve um daquele. Mas eu não vendo”, sorri.
Quem não teve a chance de comprar um zero quilômetro na época, aproveitou para encontrar a relíquia anos depois.
É o caso do administrador de empresas, Fábio Lemos da Silva, de 32 anos, que no ano passado encontrou uma jóia rara. Um Opala 250 S, seis cilindros, amarelo trigo.
“Este foi um dos sonhos de consumo de muita gente naquela época. Confortável, forte e não me dá problema”, conta.
Jóia rara, um Opalão original pode custar até R$ 30 mil. Mas para quem tem, não há preço que seduza. “Não vendo o meu por nada”, diz Silva.
GM teve Opala cor-de-rosa
O carro que era a preferência dos homens também poderia agradar as mulheres. Pensando assim a GM decidiu lançar, em 1974, um Opala Rosa-Pantera. A série limitada tentou conquistar o público feminino, mas logo saiu da linha de montagem.
Desde sua primeira aparição, no 6º Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, o Opala foi cercado de glamour.
Na grande festa preparada no Salão daquele ano, o carro foi pilotado pelo inglês Stirling Moss (piloto inglês da F1), acompanhado de oito belas misses brasileiras.
Morte de JK marcou modelo
Carro preferido dos executivos, o Opala também serviu presidentes e lamentavelmente entrou para história por causa do acidente que vitimou o ex-presidente Juscelino Kubitschek.
Em 22 de agosto de 1976, JK morreu quando o Opala em que viajava se chocou contra uma carreta na via Dutra, próximo a Resende. O motorista Geraldo Ribeiro também morreu na hora. Versão oficial: o acidente foi causado por um ônibus que teria tocado na traseira do Opala, fazendo com que o carro batesse de frente na carreta.
Paulo Gomes fez fama pilotando o Opalão
Um dos maiores pilotos brasileiros ganhou fama ao volante de um Opala. Ou melhor, de vários.
O tetracampeão da Stock Car, Paulo Gomes, conquistou três títulos com Opalas. Em 1979, pilotou um Cupê 1975, seis cilindros. Em 1983, o ribeirão-pretano ganhou o bi e, no ano seguinte, o tri, com um modelo 1980, também seis cilindros.
“O Opala foi um grande companheiro de grandes jornadas e vitórias. É um carro especial na minha vida”, diz o ex-piloto.
Tão especial que Paulão está à procura de um modelo para servir de réplica para seu primeiro Opala, campeão em 79.
“Estou atrás de um 78 ou 79, com boa lata, pois quero fazer esta réplica do primeiro carro que pilotei. No Guarujá, há uma coleção de réplicas com os três que eu ganhei, mas agora quero um só meu”, brinca Paulão.
Histórico do Opala
1966
• A GM anuncia a expansão de suas duas fábricas para a fabricação de um carro de passageiros.
1968
• É lançado, em 19 de novembro, o primeiro carro de passageiros Chevrolet produzido no Brasil, o Opala, com quatro portas.
1969
• Em 14 de julho, a GM vende no país o Opala de número 10 mil.
1970
• Em junho, a fábrica lança o Opala Cupê SS.
• Em 3 de agosto, sai o Opala de número 50 mil.
1973
• Novos Opalas em outubro: o Opala SS (4 cilindros) e o Opala Automático (4 e 6 cilindros).
1974
• Em 8 de novembro, são lançados o Chevrolet Comodoro e a Chevrolet Opala Caravan.
• Em 19 de dezembro, sai o Opala de número 300 mil.
1975
• Em novembro, é lançado o Opala 250-S.
1976
• Em 20 de novembro, a GM apresenta ao público, no 10º Salão do Automóvel, o novo Chevette esportivo GP-II e o Chevrolet Comodoro de 4 e 6 cilindros.
1977
• Em 31 de agosto, a GM apresenta à imprensa a linha Chevrolet 78, incluindo o lançamento de um novo modelo, o Opala Caravan SS, e o Chevette com novo estilo frontal.
1978
• Em 4 de janeiro, o consumidor conhece a Chevrolet Caravan Comodoro, com motores de 4 e 6 cilindros.
• Em 29 de março, chega a marca de meio milhão de Opalas vendidos.
1979
• Em 2 de julho, sai o Opala de número 600 mil.
1980
• Em 4 de dezembro, a GM chega a 700 mil modelos vendidos.
1981
• Em 27 de abril, o motor Chevrolet 250, 6-cilindros a álcool é aprovado pela Secretaria de Tecnologia Industrial (STI).
1982
• Em 19 de fevereiro, o Opala alcança sua unidade de número 750 mil.
1988
• Em outubro, introdução do câmbio automático de quatro marchas na linha Opala.
1990
• Em novembro, no 16º Salão do Automóvel, em São Paulo, são apresentados os novos modelos Monza e Opala 91.
1992
• Em abril, o Opala sai de linha, após 23 anos ininterruptos de produção, com a marca de um milhão de unidades produzidas.
• Em setembro, o Omega chega ao mercado para ser o automóvel mais moderno e sofisticado do país. É o substituto natural do Opala.