Vicente Golfeto
Quarta-Feira, 30 de Abril 2008 - 22h44 Não se faz política com idéias. Em tempo algum isto ocorreu a não ser como exceção. Política se faz com as forças sociais dominantes. Que normalmente são organizadas e se localizam próximas do poder.
Nos Estados Unidos da América do Norte e nos países em que predomina o capitalismo de mercado, o poder de pressão é exercido por grupos privados. São os denominados lobbies. Já em países em que as características são de capitalismo de Estado – como no Brasil – os lobbies mais poderosos são os que representam a alta burocracia estatal, onde pontificam servidores do Judiciário, com destaque principalmente para a magistratura, do Legislativo, dos setores de fiscalização, das armas, das polícias, do ministério público, dentre outros.
Tivemos mais um exemplo recente de que as forças sociais sufocam as idéias. O presidente Lula da Silva, tão logo foi encerrada, no Senado Federal, a batalha da CPMF – com derrota para ele e seu grupo – declarou que não pretendia aumentar impostos. Que “o ajuste fiscal seria feito do lado das despesas”. Teve que recuar, quando foi anunciado que o ajuste ia ser feito sobre parte dos servidores públicos federias, exatamente os que estão próximos do poder, em volta dos sindicatos. Iniciou-se então o movimento contrário. O presidente, com idéias democráticas, foi obrigado a recuar. Levou paulada de todo lado.
A mídia faz muito bem ao exercitar seu direito de crítica. Entretanto, precisa mostrar ao contribuinte, se possível a partir deste fato, quem receberá os recursos que serão recolhidos a mais com o aumento do IOF e da CSLL. Informação é a matéria prima da consciência. Sem informação, o eleitor – o cidadão – não consegue formar um juízo amplo e correto a respeito da realidade. E, quando tiver que decidir, decidirá erradamente. Afinal, ensina-nos a estratégia que não existe decisão correta com informação incorreta. Ou, correta apenas em parte.