Vicente Golfeto
Quinta-Feira, 1 de Maio 2008 - 21h6 A maioria dos políticos – no mundo inteiro e em todos os tempos, diga-se a verdade – costuma vender esperança e entregar ilusão. Daí vem a frustração que nada mais é do que a filha dileta da própria ilusão.
Quando assumiu o governo do Estado do Rio de Janeiro, pelo PSDB – nos anos noventas – Marcelo Alencar cunhou a síntese do que deveria ter sido sua administração: “primeiro a gente faz. Depois a gente fala”. Em outras palavras: não queria vender ilusão. Vendeu também. Rigorosamente como os outros.
O jornal Folha de São Paulo, de 03/01/2008 – na capa do caderno de Economia – diz, em manchete: “aumenta déficit na balança do petróleo”. No texto há comparações dos números com a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em abril de 2006, quando foi proclamada, falsamente, a auto-suficiência brasileira em petróleo.
Ouvido a respeito do déficit acima referido – comparando-se os números com a fala política do chefe da Nação – o prof. Saul Suslick, do Cepetro (Centro de Estudos de Petróleo da Unicamp), diz: “a Petrobras sempre foi muito correta nos seus comunicados. O problema é a pirotecnia que se faz depois”. Vale dizer: uma é a realidade empresarial, exposta friamente em números.
Outra é a versão dada pelos políticos. É certo que: 1- em política não raro as versões são mais importantes do que os fatos. Como, aliás, falava o ex-vice-presidente da República, o mineiro José Maria de Alckmin; 2- a própria verdade comporta muitas versões. Entretanto, fica mal para a classe política os desmentidos que gritam a partir dos fatos. Perde-se o maior patrimônio que um político deve ter: o da credibilidade.
Não é por acaso que o padre Antônio Vieira nos dizia: “nunca me arrependi do que eu deixei de falar”. E a máfia nos aconselha calar porque “o silêncio não comete erros”. Afinal, nós não guardamos o silêncio. É o silêncio que nos guarda.