Bom Amigo
Sabado, 3 de Maio 2008 - 14h48
À ESPERA DE UM DONO Cachorro à disposição para os interessados na Divisão de Controle de Zoonoses, em Ribeirão Preto. Local mantém animais recolhidos nas ruas ou abandonado por um prazo de até noventa dias
Oferecer os mínimos cuidados para animais abandonados e trabalhar pela adoção, sem deixar de cobrar do cidadão a sua responsabilidade pela escolha de ter gatos e cães em casa. A meta difícil, mas possível, foi abraçada por um novo projeto em Ribeirão Preto.
O projeto, batizado de Murilo Pretinho, começou em março. O nome é uma homenagem a dois cães vira-latas recolhidos das ruas. Animais abandonados passaram a ser catalogados e monitorados pelo projeto que conta com a AVA (Associação Vida Animal), a Divisão de Controle de Zoonoses e a iniciativa privada. Animais abandonados nas ruas da zona oeste de Ribeirão, mesmo vivendo nas ruas, foram vacinados, vermifugados e castrados. Depois receberam os mínimos cuidados de higiene para serem levados à primeira edição de uma feira de adoção, que contou com 15 cães adultos e 14 filhotes. Para complementar o trabalho, o projeto fez uma caminhada de conscientização pelos bairros da zona oeste.
A idéia do projeto nasceu de uma percepção da assistente-administrativa Flávia Fernanda Frederico, que é apaixonada por animais desde a infância. Flávia chegou a recolher 200 cachorros das ruas na região onde morava, mas viu que o problema só crescia e decidiu levar uma proposta para a AVA.
- Chegou um momento em que eu percebi que a minha iniciativa não resolvia o problema e que se eu recolhesse 20, no outro dia teriam mais 20, diz Flávia.
Projeto diferente
Segundo ela, o grande diferencial do seu projeto está justamente em não recolher os animais da rua. Mesmo vivendo nas ruas, os animais são monitorados por Flávia, que também é enfermeira veterinária.
De acordo com Maria Cristina Dias, da diretoria da AVA, foi criada uma espécie de força-tarefa que se empenhou em conseguir, em um primeiro momento, a adoção dos animais recolhidos na zona oeste. Ela ressalta, no entanto, que o problema não é isolado e que, por isso, o projeto foi pensado de forma que seja itinerante e circule pela cidade. As parcerias têm sido fundamentais para isso porque o trabalho é dividido, desde a castração dos animais até o transporte deles até a feira.
A idéia é fazer com que as feiras sejam realizadas periodicamente. A próxima está marcada para o dia 31 de maio. Segundo Cristina, a adoção dos cães funciona em um sistema parecido com o da adoção de crianças. Os candidatos a donos não precisam passar por uma entrevista, mas são lembrados sobre suas responsabilidades.
- As pessoas, às vezes, se empolgam e se esquecem de que o cão também fica doente, também precisa de cuidados, de alimentação. É muito triste pegar e depois devolver, afirma Cristina. Ela ainda diz que, no caso de animais mais inquietos, a recomendação é paciência e até a procura de um adestrador para ensinar comportamentos básicos para os cães.
Bons amigos
Cães são orgulho do dono
Foi preciso que se passasse um ano para que o assistente de coordenação de eventos Jurlei Marques tomasse coragem para pensar em ter outro cachorro de estimação. Seu primeiro animal doméstico escapou pela tela de proteção de sua casa e não voltou mais. Marques ficou tão abalado que, em princípio, nem pensava em ter outro animal.
A decisão só foi levada para a prática quando ele soube que haveria a feira de animais. Depois de ir ao evento, o assistente não se contentou e não só adotou um cachorro como também levou uma cadela, ambos vira-latas.
O convívio tem dado tão certo, que Jurlei já tem um tom de orgulho para descrever os dois animais. Josep, o macho, é todo preto e havia sido recolhido pelo Centro de Zoonoses. É um macho novinho, que gosta de brincar e fazer bagunça. Já Bela foi encontrada na rua e havia passado uns dias em um pet shop com custeio de uma simpatizante. É uma cachorrinha mais velha, dócil e comportada.
- Desde o começo olhei para os dois e vi que eles estavam com uma carinha de quem pede para ser levado, afirma Jurlei.
De acordo com ele, foi necessária uma fase de adaptação, mas agora já está tudo bem.
- Antes eu via o cachorro como uma marca de consumo, tinha preconceito com relação aos vira-latas. Mas, depois de ter tido o meu primeiro cachorro, que era de raça, percebi que isso não importa porque são seres que marcam a nossa vida, com os quais nos acostumamos muito no dia-a-dia, disse Jurlei.