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Sabado, 3 de Maio 2008 - 14h59

Estrangeiros alimentam negócios na Agrishow

F.L.PITON Estrangeiros alimentam negócios na Agrishow MULTIDÃO Público compareceu em peso à Agrishow. Entre os visitantes, a presença de delegações de diversos países, principalmente da América Latina

Entre produtores nacionais de diversos Estados brasileiros, cerca de três mil profissionais do exterior compuseram o público da Agrishow. Oriundos principalmente de países da América Latina, os estrangeiros não vieram ao Brasil a passeio – o objetivo foi fechamento de negócios.
Promovida pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Rodada Internacional de Negócios da Agrishow terminou com expectativa de movimentação de US$ 19,9 milhões, volume que deve ser concretizado nos próximos 12 meses.
De acordo com o diretor executivo de mercados da Abimaq, Mario Mugnaini foram realizadas 194 reuniões, entre 33 empresas brasileiras e os 11 compradores estrangeiros, provenientes da Bolívia, Chile, Colômbia, Egito, Emirados Árabes, Nigéria, Peru, Sérvia e Uruguai.
Inédito na Agrishow, o evento paralelo integra o Projeto Setorial Integrado (PSI) Máquinas e Equipamentos da Abimaq com a APEX-Brasil - Agência de Promoção de Exportações e Investimentos. Firmado em outubro de 2007, o programa rendeu ao setor aporte de R$ 17,2 milhões, com o objetivo de aumentar as exportações de máquinas e equipamentos para US$ 142 milhões até junho de 2010, contra os US$ 123,5 em 2006.
Dentre os 10 países que mais importam máquinas brasileiras, oito são da América Latina. A Argentina figura como o maior cliente brasileiro, com US$ 205,72 milhões, seguida pelo Paraguai, com US$ 92,87 milhões.

Intercâmbio
Embora o número de negócios demonstre que a principal atração da 15ª Agrishow tenham sido as novidades tecnológicas em diversos segmentos do agronegócio, o evento também atraiu profissionais com outros objetivos. A difusão tecnológica proporcionada pela feira também trouxe muitos visitantes para Ribeirão Preto.
O mecânico automotivo Leoni de Souza viajou cerca de 300 quilômetros de Pompéia/SP a RP. “Faço manutenção em tratores de duas marcas participantes da feira. É importante conhecer os lançamentos para adaptar o serviço que eu presto”, disse.
Pequeno produtor de mandioca e milho em Ubirajara/SP, João Roberto dos Santos comprou recentemente três vacas com o projeto de entrar no agronegócio do leite. No evento, o agricultor participou de palestras e buscou informações sobre inseminação artificial de animais. “Em vez de criar touros, tenho a intenção de inseminar as vacas com sêmen de bezerros mais produtivos”.

‘Espião’
Concorrente direto do Brasil nos mercados globais, os Estados Unidos enviaram à Agrishow o economista Morgan Perkins, diretor do Escritório de Comércio Agrícola do Ministério da Agricultura dos EUA em São Paulo. “Estive na feira para analisar como está o comportamento e as expectativas do agronegócio brasileiro neste ano”, disse com exclusividade ao jornal A Cidade.
Presente na edição de 2005, quando o Brasil amargava auge da crise agrícola recente, Perkins observou a mudança de contexto na feira deste ano. “Esse evento está com cenário bastante positivo. O clima entre os produtores visitantes é de entusiasmo. O que acontece no Brasil certamente influencia o mercado norte-americano”.


Mais profissionalismo
A retomada do setor de grãos e a crise mundial de alimentos são considerados os principais responsáveis pelo resultado positivo da Agrishow.
Mas, mesmo mercados com contextos desfavoráveis, caso da cana-de-açúcar, mantiveram investimentos para garantir produtividade quando a crise passar, apontam os expositores.
Segundo o diretor comercial da New Holland, Luiz Feijó, houve grande procura por tratores para a área canavieira.
“Os projetos já foram lançados e não podem ser interrompidos no meio do caminho por uma crise passageira. Por isso, os usineiros vieram para a feira investir em equipamentos”, observou.

Financiamentos
O Santander registrou ainda que não houve uma demanda específica por financiamentos.
Segundo o superintendente comercial de Agronegócios do banco, Walmir Segatto, a procura apresentou diversificação, com demandas de recursos para infra-estrutura (aquisição e renovação de frotas de máquinas) até custeio para produção de soja, milho, cana, café e laranja.



LUIZ ADOLFO
Especial para A CIDADE

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