Júlio Chiavenato
Sabado, 3 de Maio 2008 - 21h13 O chato de escrever para jornal é a necessidade de ser “claro”. Na prática significa vulgarizar o texto para que todos entendam. Sou pelo contrário: quem não “entende”, às vezes por preguiça de ir ao dicionário, nada quer saber. Na maioria são conformistas que preferem o prato pronto. Prato pronto é mais fácil. Mas é um grude.
Ontem, escrevi que o humanismo, teoricamente uma “religião” até o começo do século 20, foi vencido pela “revolução tecnotrônica”.
É bom explicar. A globalização foi o veículo da vitória de um processo começado desde a revolução industrial e recentemente formalizado a partir da imposição ideológica de uma estrutura socioeconômica anunciada por dois profissionais do anti-humanismo (que se manifestavam por uma fobia anticomunista): Henry Kissinger e Z. Brzezinski, um polonês que afirmava, nos anos 1970, que as verdadeiras revoluções sociais decorrem dos avanços tecnológicos.
Assim, Jesus e Marx, por exemplo, seriam peças de uma engrenagem, suas idéias nada valem diante do avanço tecnológico.
Kissinger e Brzezinski foram os ideólogos dos recentes governos norte-americanos.
Brzezinski “pregava” a guerra contra os “inimigos da democracia” e que a CIA instigasse a guerra civil na Rússia, para dividir o país e evitar concorrência com os EUA depois do fim do comunismo.
Kissinger e Brzezinski, um alemão e outro polonês, impuseram-se como ideólogos úteis ao grande império norte-americano. Eles venceram.
Nos tempos que correm Jesus e Marx estão “derrotados”. As guerras, a desumanização do homem, o consumismo desvairado substituindo os valores éticos, não só confirmam como favorecem a expansão do capital monopolista.
O diabo também vence. Mas vive no inferno.