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Sabado, 3 de Maio 2008 - 22h18

Luz elétrica chegou a RP há 125 anos

REPRODUÇÃO Luz elétrica chegou a RP há 125 anos FOTO DA FAZENDA MONTE ALEGRE Na sede onde hoje funciona o Museu Municipal foram instaladas as primeiras lâmpadas elétricas

A luz elétrica foi inaugurada em Ribeirão Preto no dia 3 de maio de 1883. Isto, no prédio central da Fazenda Monte Alegre, onde hoje fica o Museu Municipal. Na área urbana, na mesma época, há exatos 125 anos, o que acontecia era o início do processo para iluminação das principais ruas, com lampiões a querosene, ao passo que a eletricidade só chegaria seis anos depois.
Exatamente assim: enquanto o coronel João Franco de Morais Otávio reunia outros fazendeiros, e também autoridades municipais, para a festa de inauguração do sistema particular de energia elétrica na fazenda da qual era o dono (e que anos depois seria adquirida pelo segundo “rei do café” Francisco Schmidt), a luz na cidade ainda era uma realidade distante.

Nos logares
O historiador Plínio Travassos dos Santos deixou registrado que, apesar de ser freguesia (distrito) desde 1870 e vila (município) desde 1874, São Sebastião do Ribeirão Preto (nome vigente na época) ainda não possuía iluminação pública, e a Câmara Municipal, que tinha poder executivo, só começou a tratar dessa questão no dia 2 de maio de 1883.
Foi quando os vereadores aprovaram uma comissão para “por meio de donativos particulares, colocar lampiões nos logares mais convenientes das ruas principais, ficando esta Câmara encarregada do fornecimento do kerosene”.

Muita diferença
Assim, enquanto na Fazenda Monte Alegre foi montado um sistema de produção própria de energia elétrica, a iluminação pública na área urbana ainda era objeto de discussões, e só seria efetivamente inaugurada – com lampiões a querosene – em março de 1885.
Nas atas da Câmara, consta que uma proposta para a colocação dos lampiões foi feita pelo cidadão Mansueto Raghiardi, com a cláusula de que ele não se sujeitaria a prejuízos decorrentes de estragos causados por pessoas mal intencionadas. Os lampiões seriam acesos às 6 horas da tarde e apagados às 10 da noite. Nas noites de luar, a iluminação seria acionada a partir das 7 horas.
Outra proposta foi feita por João Baptista de Souza Mineiro, oferecendo vantagem de 10 contos de réis sobre qualquer outra proposta. E apareceu ainda um outro “mais esperto”, segundo expressão do historiador: Francisco Burralho oferecia 1% de abatimento sobre o valor da melhor proposta.

“Não foi feliz”
A oferta de Burralho foi aceita, mas “ele não foi feliz”, conforme os termos da história contada por Plínio Travassos dos Santos, pois “o serviço de iluminação que vinha prestando não satisfazia”. Daí a Câmara partiu para outra solução, encarregando Antônio Gomes de Freitas, conceituado comerciante, dono da “Casa Freitas” (que ficava onde hoje está o Edifício Meira Júnior, no Quarteirão Paulista), de executar o serviço. Mais tarde, em dezembro de 1886, a concessão foi transferida para Rufino Ricardo Teixeira, ainda com o querosene sustentando a iluminação pública. Nessa altura, a luz elétrica já funcionava em outras fazendas do município, como a pertencente ao primeiro “rei do café” Henrique Dumont, às dos irmãos Pereira Barreto e na propriedade de dona Iria Junqueira, que também se prepararam para ter o sistema de produção própria de energia.
Apenas no dia 7 de maio de 1888 foi contratado o serviço de iluminação elétrica para as ruas da cidade. A contratação foi feita junto a outro cidadão de nome Rufino, sobrenome Almeida, que se tornou o primeiro concessionário. A inauguração oficial se deu um 14 meses depois, em 1889.


Do querosene à eletricidade
O que se nota é que o período que vai do início da discussão dos lampiões de querosene até a operação da iluminação pública elétrica em Ribeirão Preto marca importantes episódios da história da cidade e do Brasil.

• Em 1883, no dia 23 de novembro, chegava a Ribeirão Preto o primeiro trem da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.

• Em outubro de 1886, ainda com a cidade sob luz de querosene, Ribeirão recebia a visita do imperador D. Pedro II, para inaugurar o trecho da linha férrea até Batatais.

• A inauguração da iluminação pública com energia elétrica ocorreu um ano depois do ato oficial que libertou os escravos brasileiros, em maio de 1888, e quatro meses antes da proclamação da República, em novembro de 1889.

Nesse transcurso de tempo, Ribeirão Preto caminhava para se tornar conhecida mundialmente como “capital do café”.
Os números conhecidos relativos à população indicam que, em 1871, o município tinha 5.252 habitantes, dos quais 857 eram escravos.
Já em 1890, a população era de 12.035 habitantes, e crescia, com a força econômica movida pelo café.
Ribeirão Preto viveria uma vida noturna e social intensa, com cabarés e mulheres vindas da Polônia - oficialmente eram as “francesas”, que ensinaram aos coronéis do café sutilezas como o uso do lenço, o perfume, e sutilezas do amor.



CARLOS ALBERTO NONINO
Especial para A Cidade

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