Vicente Golfeto
Segunda-Feira, 5 de Maio 2008 - 23h38 Para a máfia, a vingança é a única justiça que satisfaz. Ultimamente, parece que mais ainda.
Vivemos época de ansiedade, que é a neurose de quem tem mais pressa do que tempo. Quem é ansioso sabe do que estou falando. Esta neurose exige solução rápida, informação rápida. O alimento tem que ser rápido. Desta falta de tempo – da pressa – nasce o fast food. A demora – ainda que insignificante – dispara a ansiedade. Que maltrata o corpo a partir da alma, do psiquismo. Provérbio irlandês diz: “Deus criou o tempo. O homem inventou a pressa”.
Quanto mais queremos soluções – contradição de nosso tempo – rápidas, imediatas mais a Justiça demora. Abre-se campo para o domínio da iniquidade. Niccolo Machiavelli nos diz que “no homem, a sede de poder é tão forte quanto a sede de vingança”. E a máfia reitera: “fica muito mais fácil perdoar uma pessoa depois que você acertou as contas com ela.” Apascenta-se o espírito.
O homem, com instintos primitivos, vinga-se. O homem que se pensa civilizado, entrega este desejo ao Estado. Deste útero nasce a Justiça. Em tempos idos, esperava-se com grande tensão, mas por pouco tempo, o advento da justiça. Atualmente, em tempos de pressa aguda, o atraso da Justiça faz disparar o desejo de vingança, tão bem notado por Machiavelli. No homem civilizado, então, desponta o homem primitivo. No Brasil – e, em países menos desenvolvidos, com mais intensidade – o Judiciário está cada vez mais lento, instigando o sentimento de vingança, que é o único que passa a satisfazer. Ao mesmo tempo a lei, não raro, transforma-se em empecilho à Justiça.
A velocidade do Estado – do Executivo isoladamente considerado – é do tílburi em tempos de avião supersônico. Mais lento do que o Estado, o Judiciário – também singularmente analisado – está na velocidade do carro de boi. Reduzir este absurdo descompasso é uma necessidade imperiosa.