Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Terça-Feira, 6 de Maio 2008 - 23h6

Tempo de gentilezas


Embora não tenhamos mais um rabo, herança perdida dos antepassados, é bem certo que mantivemos o hábito de sentar sobre o mesmo. Foi-se o órgão, ficou a prática, que hoje é uma fonte capital de nossos problemas.
Quando reclamamos da agressividade do mundo, sentamos sobre uma cauda inexistente, culpando a outros por algo que também recebe nossa colaboração. Poderia ser bem diferente, caso pudéssemos dispor de não mais do que um minuto por dia, quando muito.
Façamos a aritmética. Você está com seu carro parado, esperando o sinal abrir. À sua frente, outro carro. Assim que o sinal abre, o carro da frente morre o motor. Em média, salvo problemas mecânicos, o motorista não precisará de mais do que 5 ou 7 segundos de nossa compreensão para dar a partida novamente e arrancar. Mas parece que preferimos enfiar a mão na buzina e forçar a passagem pelos lados, sem esquecer de olhar feio para o outro motorista e lhe dirigir algumas palavras elogiosas.
Outra oportunidade de melhorar o mundo se dá num espaço mínimo: o elevador. Dizer bom dia leva cerca de 2 segundos. Ficar dentro de um cubículo com gente mal encarada, mesmo que por poucos andares, leva uma eternidade. Esperar que as outras pessoas entrem primeiro também não soma mais do que 10 segundos ao seu atraso. Além do mais, gente educada e gentil é muito mais chique. Todos olharão para você com mais respeito.
Claro, tem ainda a fila do banco, da porta giratória, o lugar no ônibus e tantas outras situações que, se você puder perder este um minuto de gentileza, com certeza passará a ganhar dias bem mais agradáveis. Tente, por favor. Um bom dia e muito obrigado.

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